Na discussão das prioridades para a retomada do crescimento econômico, hoje, a taxa de juros é menos significativa. O primordial é reduzir o montante do depósito compulsório, de forma a disponibilizar mais dinheiro no meio circulante, pela expansão das concessões de crédito à cadeia produtiva e à malha dos negócios, bem como aos cidadãos no geral.
Esse compulsório consiste de um porcentual obrigatório (hoje de 40% para os depósitos à vista) que a rede bancária tem de efetuar junto ao Banco Central, sobre aqueles valores e sobre as aplicações financeiras. Trata-se de um expediente de que o governo se vale para o controle da moeda em circulação, retirando-a quando o desejar e, assim, reduzindo os empréstimos e a liquidez. Tem a ver com políticas de controle da inflação, sob a argumentação de que mais dinheiro disponível representa excesso de demanda e possibilidade de estímulo inflacionário.
Ocorre que esse gigantesco volume de dinheiro fica imobilizado (embora o Tesouro possa utilizá-lo), freando a expansão dos negócios e o desenvolvimento. O dinheiro, então, escasseia, e o povo entenda-se aí os agentes de produção e a comunidade ficam sem disponibilidade de moeda corrente e sem outros valores rapidamente conversíveis em dinheiro. O sistema bancário vale-se da situação e eleva o juro às alturas e abusa dos ganhos, como se tem visto.
A redução do custo para os tomadores de empréstimos, pela redução da cunha fiscal que o elevado percentual do depósito compulsório representa assim como os custos agregados às operações financeiras, como CPMF, IOF será mais benéfica para a recuperação do desenvolvimento econômico do que a baixa da taxa da Selic, mesmo porque ninguém hoje paga esse juro básico, porém valores que chegam a 100% ao ano. A situação vigorante resulta na contenção desenvolvimentista, com redução do emprego e, consequentemente, o corte da renda do trabalhador, provocando uma reação negativa em cadeia, uma coisa puxando a outra.
Há, pois, que recuperar o poder aquisitivo, o que deve passar pela diminuição do tamanho dessa cunha fiscal e dos pesados encargos trabalhistas pagos pela empresa sobre a folha salarial, que significam desembolsos de 50% a 90% e que não vão para o trabalhador. A retomada do crescimento econômico não acontecerá sem a solução dessas duas questões básicas. E, de qualquer modo, o governo deve exigir dos bancos que reduzam suas taxas e contenham a sanha de lucros exorbitantes à custa de especulação financeira num país em dificuldades. Meios para essa providência não lhe faltam, dependendo de uma corajosa tomada de decisão.

mockup