Discutir a localização de novos cemitérios tem a ver diretamente com a população e, por melhor que seja o critério de escolha, os conglomerados residenciais próximos irão reclamar. Por isso não pode haver sigilo quanto aos locais já escolhidos ou em estudo, sigilo que se anuncia ante o projeto de implantar mais três cemitérios em Londrina. No momento, o departamento competente da Prefeitura finaliza a avaliação de pontos, mas está atuando sem consulta pública, e quando os revelar poderá enfrentar reações. Que sirva de exemplo a polêmica sobre o terreno do antigo Colégio Londrinense/Colossinho: para o Walt-Mart ou Teatro Municipal.
Destinar áreas para cemitérios não é como escolhê-las para um hipermercado ou um edifício de fim cultural. O poder público anuncia que as zonas já escolhidas para os cemitérios serão a norte e a sul, sem especificar os lugares exatos, sem saber se são áreas densamente povoadas e se medidas impensadas venham a bloquear o crescimento urbano nesses locais. Há que ver se tais escolhas obedecem a conveniências detalhadamente examinadas e não se limitem a avaliações apenas ambientais.
A opinião pública tem desconfiança dos critérios da administração pública quanto a certas deliberações, que muitas vezes desprezam estudos técnicos e também humanísticos. Anos atrás, na ''calada da noite'', a Prefeitura aterrou grande extensão do Lago Igapó 2, permitindo que construtoras depositassem ali seus entulhos. Após esse hediondo crime ecológico, por pouco a área não é entregue pelo poder público a uma empresa particular para que instalasse ali um empreendimento comercial. A sociedade reagiu em tempo e esse fundo de vale foi preservado, embora o aterro tenha sepultado para sempre o lençol d'água.
A idéia, por exemplo, de implantar o futuro aeroporto na zona Oeste, é outra insensatez, pois tal, se venha a ocorrer, bloqueará o único respiradouro existente para expansão da área mais nobre da cidade e há, sim, que levar isso em conta. Pré-projetos assim partem da esfera oficial, sem exame de consequências. Tais exemplos são mostrados para que, com relação aos cemitérios, não se faça escolhas apenas por critério de preço ou outras eventuais vantagens que não sejam as melhores para a cidade. Não basta a Prefeitura procurar terrenos mas apresentar esses projetos à discussão pública.
E a tendência, doravante, é implantar cemitérios-jardins semelhantes ao já existente Parque das Oliveiras seguros quanto à higiene e saúde pública, sem sepulturas aparentes e, portanto, menos amedrontadores, e ademais sem comprometer o visual urbano e dificultando algo que infelizmente acontece, que é a violação de túmulos. Um plano devidamente estudado deve prevalecer com obediência a quesitos que não podem ser descartados.

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