Manifestações públicas de ministro contra ministro, se servem como informação aos cidadãos por expor realidades e mostrar como anda o relacionamento no seio da equipe governamental, demonstram fragilização da unidade dentro do sistema e enfraquecimento da autoridade do presidente da República. É na figura do chefe do governo que se voltam os olhos da Nação e é dele que se espera não só as grandes decisões como os grandes pronunciamentos. A cada ministro cabe pronunciar-se sobre as questões das respectivas pastas, mas não fazer críticas à macropolítica do governo e, muito menos, criticar colegas fora das salas das reuniões internas.

O presidente Lula, que perdeu um pouco as rédeas de controle dos seus ministros, resolveu pedir o fim das divergências e mais atenção para as incumbências que lhe competem. Com efeito, há falta de entrosamento entre algumas pastas e, pela queixa do próprio presidente que não deveria ser um queixoso mas um cobrador intransigente de resultados há recursos se perdendo porque não são usados. Incrível que, num país de meios escassos e cheio de problemas que dependem de ações governamentais, dinheiro público existente, com fim específico, deixe de ter função por negligência.

Dias atrás o ministro Roberto Rodrigues tachou de vagabundo seu colega do Planejamento; ontem o ministro Luiz Fernando Furlan fez crítica pública à pesada carga tributária. O presidente da República não pode permitir nem uma coisa nem outra, porque tal se afigura como uma licenciosidade e um sinal de desordem. Desentendimentos e conflitos são normais dentro dos gabinetes governamentais, mas não podem se tornar públicos. Quanto ao excessivo peso dos impostos, está cheio de razão o ministro e empresário Luiz Furlan, mas ele não falou com o aval do presidente, que, se eventualmente concorda com o que diz seu subordinado, deveria ter sido ele o autor de um tal pronunciamento, e se não concorda, fica publicamente execrado.

A opinião pública não aceita governantes fracos e sente insegurança quando assiste a tristes espetáculos como de ministros ofendendo-se publicamente, e sem nenhuma sanção, e quando um integrante da equipe faz crítica declarada a uma política do próprio governo e, por natural extensão, do seu próprio comandante, o presidente da República. Estes são perigosos sinais de máquina frouxa e semeiam uma corrente de descrença na autoridade do Planalto. A segurança que deve emanar das instituições é fundamental, e está na hora de o presidente Lula jogar duro, ou os cidadãos começarão a imaginar que muitos mandam dentro do governo e que falta comando.

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