OPINIÃO DA FOLHA - Prova de fogo
Embora apenas uma única concessionária de rodovias pedagiadas tenha oficializado o reajuste de suas tarifas, inicialmente para a zero hora desta segunda-feira e agora adiada para esta terça, as partes envolvidas nesta complicada questão têm, a partir de agora, o momento decisivo de uma queda-de-braço que já dura onze meses, a partir da posse no Palácio Iguaçu. Aliás, mesmo antes da queda-de-braço, essas partes já se estranhavam na campanha eleitoral do ano passado, com o então candidato ao governo do Estado ameaçando as praças de pedágio de intervenção.
Evidente que, a partir da posse, a briga deixou de ter tom discursivo e ganhou as esferas política e jurídica. Ainda assim, um epsódio foi marcante e pode ser interpretado como de cunho essencialmente ameaçador: por algumas horas a intervenção vigorou sobre o pedágio paranaense, na data em que, enfurecido pela posição das empresas concessionárias do sistema, o governo do Estado usou os meios de comunicação para anunciar aquela decisão. No momento, as praças de pedágio eram dominadas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, os mesmos que deixaram inexplicavelmente por alguns dias de lutar por terra e se postaram como guardiões de alguém e não se sabe quem nas cancelas dos postos de cobrança.
Agora a questão é mais grave, pois envolve o aumento das tarifas. Pelos contratos firmados no governo anterior, as empresas concessionárias aumentam os preços a cada 1º de dezembro. E não se discute a possibilidade do reajuste, mas apenas o porcentual a ser aplicado. O clima que se apresenta recomenda, porém, cautela. A força contratual torna-se muito frágil diante das circunstâncias, entre elas auditorias que apontam, segundo o governo do Estado, inúmeras irregularidades cometidas pelas concessionárias em suas contas.
O aspecto mais importante a ser considerado, no entanto, é o da reação popular. Protestos serão inevitáveis e, dependendo das condições em que ocorram, apontarão para alguns radicalismos e muitos prejuízos.
Ponderações, entretanto, parecem argumentos falhos. O governo, mais uma vez, ameaça com polícia para evitar os aumentos. Usuários de rodovias, liderados por duas fortes entidades do setor de transportes, já fizeram demonstração de força na semana passada e, com o aumento, provarão que não querem brincadeiras.
Para evitar tudo isso, é fundamental, agora sim, um posicionamento político forte. É preciso acabar com essa queda-de-braço que não leva a nada.





