Bom que o vereador londrinense Leonilso Jaqueta (PMDB) nunca tenha roubado, como ele próprio afirmou publicamente, anteontem, ao rebater a opinião de um cidadão, publicada neste jornal e que fez críticas aos vereadores. Mas soou hilariante seu desejo inicial de processá-lo pelo fato de ter manifestado sua opinião em enquete da Folha acerca dos vereadores. O cidadão é o segurança Genival dos Santos Barros, ouvido nas ruas entre outros tantos sobre a campanha cívica e moralizadora que ora se realiza em todo o Brasil para redução do número de cadeiras nas Câmaras Municipais e assim reduzir gastos.
Ele disse que acha correta a diminuição do número de vereadores, porque acrescentou há muito roubo na política e seria melhor investir o dinheiro em coisas mais necessárias, como a saúde por exemplo. De resto, isto é o que pensam todas as pessoas, e insurgir-se contra isso seria como pretender frear as marés ou fechar a garganta dos vulcões. Os clamores populares são como os ventos, às vezes convertendo-se em tempestades. Não se deve brincar com eles e nem molestar-se porque eles sopram.
Fossem os políticos processar todos os que os criticam e os acusam, as prateleiras da Justiça teriam uma montanha de 170 milhões de processos, um para cada brasileiro na verdade um pouco menos, porque as criancinhas ainda não sabem e, por isso, não manifestam sua opinião. A posição desse cidadão é a mesma de todo o povo, e processá-lo seria como processar a opinião pública, e, em caso de condenação e sentença de prisão, todo o território nacional se converteria numa grande cadeia e só ficariam de fora os políticos.
Tem razão o vereador ao declarar que é preciso preservar a imagem da Câmara. E não apenas a de Londrina, mas de todos os municípios brasileiros, assim como as Assembléias Legislativas de todo o Brasil e o Congresso Nacional. E por extensão aproveitando-se a corrente preservar a imagem dos governantes em geral. Mas o cuidado por essa preservação deve começar dentro das próprias Casas legislativas e dos gabinetes governamentais. Não é censurando e processando os cidadãos que tal ocorrerá.
Vaga-se pelo reino da fantasia ao gastar tempo com questão tão irrelevante, e ademais ações como essa, se levadas adiante, só farão sobrecarregar a Justiça, como se os juízes nada mais tivessem a fazer do que julgar um cidadão do povo que cometeu o grave ''delito'' de generalizar sobre o que acha dos políticos. Se o vereador Jaqueta se mantém íntegro, não tem por que melindrar-se, eis que pessoalmente não foi citado pelo cidadão, porém, melhor do que pensar em processar as vozes populares, será os homens públicos repensarem-se e reexaminarem-se, e assim iriam saber por que a opinião pública é tão crítica com eles.

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