OPINIÃO DA FOLHA - Por ausência de lideranças
Não se concebe que uma cidade da importância de Londrina se debata com um problema como o estado de abandono em que se encontra o Instituto Médico-Legal (IML), e que se gaste tanta energia em avaliações acerca de uma situação que nunca deveria ter chegado ao ponto em que está.
Discussões acadêmicas e a busca de encontrar explicações, tudo isso soa cansativo aos ouvidos dos cidadãos, e uma verdade fica evidente: a ausência de lideranças fortes nesta cidade que já exerceu, durante longos anos de sua história, grande poder político e capacidade de resolver os seus problemas e até de evitar preventivamente que acontecessem.
Os parlamentares que representam a cidade na Assembléia Legislativa não são políticos de expressão; o Secretário de Segurança Pública que é desta região atua sozinho, porque não encontra grande apoio para atender a reclamos regionais; e a vice-governadora, de origem londrinense e que, por períodos intermitentes, ficou o correspondente a um ano inteiro no poder, nas vacâncias do titular, esta ateve-se a delicados discursos e à elegância do convencionalismo que supôs caberem bem, desperdiçando preciosa oportunidade de servir ao Paraná e especialmente ao interior, nas ocasiões em que ocupou a titularidade.
Ao invés de ficarem atentos a situações como a do IML, evitando inclusive que se perdesse verba que poderia ser destinada a esse órgão e a perda de fato ocorreu áesses políticos desfilam indiferentes diante dos problemas que podem ajudar a resolver, preferindo o conforto da acomodação à sombra do poder, sem molestar o governo. Até que uma nova eleição aconteça e eles se apresentem, outra vez, como candidatos à continuidade.
O próprio governante titular deve imaginar que as coisas vão bem se as representações regionais não se manifestam e nada reclamam. E quando os problemas chegam ao ponto de exaustão, como o caso do Instituto Médico-Legal de Londrina, todos começam então a apresentar justificativas, a auto-defender-se e a acusar-se entre si, o que é o mais abominável dos comportamentos quando a cidade gostaria de ver os seus representantes unidos na defesa das mesmas causas. Mas eles só sabem dos problemas depois que a imprensa os mostra.





