OPINIÃO DA FOLHA - Ponderações sobre pedágio
Estradas deterioradas não deixam de ser estradas prontas, ao contrário do que conceitua a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) em contestação à posição deste editorial, sobre o pedágio. Deterioradas, as rodovias-tronco do Paraná, sem dúvida, estavam. Porém concluídas, e nessa obra as concessionárias do pedágio nada investiram. Não tem sentido, então, o que afirma a nota da entidade, de que elas ''não receberam estradas prontas'', porque se encontravam ''bastante deterioradas''.
Pelo que afirma, a associação parece desconhecer o que significa uma rodovia pronta um gigante empreendimento que passa pelo processo do levantamento aerofotogramétrico da área por onde a estrada irá passar, pela desapropriação e aquisição da respectiva faixa territorial, por cortes, aterros e terraplenagens dos relevos, por contornos em vales e montes, pela construção de pontes e outras obras, como guard-rail, proteção de barrancos e implantação da densa camada invisível de brita. A capa asfáltica final é apenas o acabamento dessa imensa infra-estrutura. Inconsistente portanto para não dizer risível o conceito da ABCR sobre o que é uma rodovia pronta.
E se as concessionárias só passaram a cobrar seis meses depois da assinatura do contrato, isso se deveu ao período experimental. Quanto aos reparos feitos nas rodovias, nesse período preliminar, não foram obras de grande expressão, e mesmo que houvessem sido, tal seria o mínimo a exigir de quem recebia ''de bandeja'' uma tão rica concessão. Diga-se que culpa não cabe às concessionárias se razões de Estado (entenda-se de Estado brasileiro) resolveram que assim deveria ser, à revelia do direito dos usuários.
Não é verdade ao contrário do que afirma a nota da ABCR que em outros países também existem modelo de pedágio semelhante ao implantado no Brasil, ou seja, receber rodovias prontas e passar a cobrar tarifas plenas, pelo topo. O principal, a associação que congrega as concessionárias não diz: que nos países onde empresas privadas só desempenham a tarefa de conservação, as tarifas cobradas são mínimas, tudo equivalente ao serviço prestado. Não há caso similar ao que acontece aqui, onde por trafegar numa rodovia paga por ele mesmo, como cidadão contribuinte um caminhoneiro, por exemplo, deixa quase todo o seu lucro nos guichês do pedágio, por um serviço que, bem ou mal, ele já possuía. Quanto às obras de infra-estrutura implantadas, como apregoa a ABCR, elas são insignificantes diante dos 3 anos e meio de cobrança plena do pedágio e da astronômica arrecadação já auferida.





