OPINIÃO DA FOLHA - Polícia de elite
A prudência recomenda que é preciso ressaltar a existência dos bons policiais, mas em meio à escalada da bandidagem que assola o País, as notícias cada vez mais frequentes são de integrantes da Polícia envolvidos com a criminalidade. Ontem este jornal noticiou que três policiais foram presos, em Curitiba, por extorquir dinheiro de uma quadrilha de roubo de caminhonetes em troca de não prendê-la; e na mesma edição, informa o afastamento de um delegado de Maringá e de um seu irmão, investigador policial, acusados da venda de peças de desmanche de carros, apreendidas pela Policia.
Não é de agora que a população teme tanto os bandidos quanto os policiais, e às vezes estes são mais temidos, porque revestidos do poder da autoridade. E quando marginais e agentes de segurança operam juntos, então o cerco se fecha para o indefeso cidadão, porque ele não tem mais a quem recorrer. A principal justificativa apresentada, para os tantos casos de envolvência da Polícia com os delinquentes, é que os policiais são mal pagos e por isso ficam mais propensos a defender os bandidos ou a juntar-se a eles, pelo aceno de melhor ganho, ou a agir por conta própria.
Se é certo que os soldos dos policiais são baixos e os perigos a que se expõem são muitos, isto não dá validade a que descambem, também eles, para a criminalidade, porque a situação é difícil para todas as classes trabalhadoras. Certamente que a ilusão do poder, representada pelo uso da farda e de armamento e pela incumbência de agir como força de repressão e também uma certa garantia de impunidade possam facilitar ao agente da lei descambar para a prática delituosa, até pelo contato frequente com o universo da marginalidade. Mas existe também muito despreparo e muito abuso no corpo policial.
Há um elevado grau de contaminação nos organismos de segurança, difícil de sanear, mas será necessário adotar políticas de rigoroso selecionamento na contratação dos novos efetivos, dando-se preferência aos que tenham mais graduação e ficha de melhor procedência. É um trabalho árduo, mas que precisa ser iniciado, para aos poucos ir se implantando uma polícia de elite, confiável, que crie um novo conceito de segurança pública e desestimule os mal intencionados a ingressarem nos quadros policiais.





