OPINIÃO DA FOLHA - Pelos caminhos da mulher
É pequeno demais o espaço que a presunção humana deseja dar à mulher se imagina que isso se limite a conceder-lhe direitos que eventualmente possam ser comparados aos do homem. Até porque se desconhece a real dimensão do que seja direito e, nesse sentido, também não se sabe até que ponto o homem é contemplado com mais direitos que a mulher. Certamente que, ante a grandeza da mulher, não podem servir de parâmetro questões pequenas como certas regalias de natureza material que o varão conquistou, a supor-se que seja exatamente isso que a mulher também almeje para si.
Se é necessário utilizar os termos machismo e feminismo neste 8 de março dedicado à mulher é sensato admitir que ambos se equivalem em postura e preconceito. Primeiro, não cabe ao homem conceder direitos à mulher, simplesmente porque não é detentor deles e não pode arrogar-se o poder de concedê-los, e não cabe também ao oportunismo dos movimentos feministas mais ortodoxos delimitar a área de direitos da mulher e imaginar que, uma vez obtidos, por si sós bastem para ela realizar-se em sua plenitude.
Impossível nivelar homem e mulher na mesma quadratura, colocá-los dentro de uma embalagem de medidas idênticas e crer que ambos se encaixem. A mulher também não foi consultada para saber se é exatamente isso que deseja. Com certeza, embora prevista em lei, a igualdade de direitos não ocorre, nem na relação entre homens, nem na relação entre mulheres e nem entre ambos. Preciso seria penetrar a alma de cada um e muito especialmente a da mulher, que é mais sutil e reivindicante de outras coisas que, no mais das vezes, escapam do entendimento do homem e de certos agrupamentos que se arrogam seus salvadores.
É atribuir pequenez à mulher enquadrá-la em padrões de satisfação que se comparem aos do homem. Todos os direitos básicos de cidadania já são inerentes a ela, isso não invalidando que sejam defendidos, se burlados. Tal porém não é tudo, porque a mulher reivindica mais gestos de amor e reconhecimento do que um macacão e um par de botinas. Não será necessário arrancar-lhe os atributos de feminilidade que lhe são próprios e concebidos por alguma razão divina, como é impossível impedir que o homem a admire, a corteje e a deseje.
Dir-se-á que o tempo da queima de sutiãs já passou, mas vigora ainda a mentalidade sempre manifestada no Dia da Mulher de que há que despertar na mulher o espírito de luta, como se ela já não fosse uma lutadora em sua sublime missão de gerar a vida, ser mãe, companheira e luz-guia a iluminar caminhos e a servir de bálsamo e acalanto. O Dia da Mulher não deve servir apenas para erguer bandeiras reivindicatórias mas especialmente para reverenciá-la, por todas as virtudes que a natureza criadora lhe concedeu e que são muito mais sublimes. Se nos lembrarmos primeiro destas, nos lembraremos das demais. Um indicativo é que a mulher trilha mais frequentemente pelos caminhos do coração, e ali será mais fácil encontrá-la e compreende-la.





