OPINIÃO DA FOLHA - Pátria do futebol e da corrupção
Se o exemplo vem de cima e a impunidade impera, os que estão nos escalões mais de baixo imaginam que esta é a ordem e que podem proceder da mesma maneira. No momento a notícia de corrupção envolve policiais rodoviários da região de Campo do Mourão e Maringá. Até aí nenhuma novidade, porque o fato inusitado seria não ter notícia de falcatruas na esfera do poder e dos serviços públicos. O que é diferente é o tipo de tratamento que certos casos recebem, em relação com os outros, porque no episódio dos policiais as prisões foram imediatas e é bastante provável que o produto do roubo seja devolvido.
Já não acontece o mesmo com rombos de grande expressão, e muito raramente os denunciados são presos. O fato raro de uma destacada autoridade nacional estar reclusa chega a surpreender a nação, mas ainda não se viu a devolução dos valores subtraídos. Em casos bem próximos e conhecidos da população paranaense, não só proeminentes acusados e proclamados culpados continuam em liberdade, como ninguém crê que os cofres públicos sejam ressarcidos da roubalheira.
O que ocorre não é uma discriminação entre ladrões de maior ou menor relevância social, mas a elasticidade das leis, que permite a bons defensores manter livres e impunes os seus clientes. Prevalece, por isso, a verdade de que cadeia é feita para ''ladrão de galinha'' expressão popular já incorporada a linguagem jurídica porque estes ninguém quer defender, e se o faz, não se empenha. Entristece é constatar que, a par de o Brasil ser a pátria do futebol e agora dos pentacampeões este um aspecto positivo é também a pátria da corrupção e, por conta da elasticidade das leis, a pátria da impunidade se os denunciados têm poder econômico e dele se valem. A justiça, assim, é executada pelos defensores com mais conhecimento jurídico, e, porque bem pagos, uma prerrogativa do ordenamento legal dedicam-se por inteiro à causa. Há que endurecer com as leis para certos tipo de delito e para que um processo não fique sujeito a tantas interpretações, estas, infelizmente, sempre beneficiando mais o infrator.





