OPINIÃO DA FOLHA - Os valiosos bilhões da CPMF
O governo inventa um novo encargo tributário á a CPMF e depois contabiliza como um grande prejuízo a perda de parcelas dessa gorda receita, porque um incidente de percurso fecha-lhe, mesmo que temporáriamente, a pródiga torneira. É sui generis essa matemática. Seria como alguém que não ganhou na loteria afirmar que perdeu uma fortuna.
Como não produz renda, mas apenas a subtrai das fontes produtoras, o governo que é um organismo que opera em função de si mesmo prostra-se em choradeira porque vai deixar de apropriar-se de R$ 5 bilhões, até o fim do ano, se o Congresso não aprovar neste mês de maio a prorrogação da CPMF.
Se está triste o governo que aplica mal o dinheiro, pois precisa alimentar a onerosa máquina pública e facilita que somas fabulosas escoem pela via da corrupção a nação com toda certeza será beneficiada com aqueles bilhões mantidos no meio circulante e gerando mais benefícios que em mãos oficiais. A perda, tão apregoada e lamentada pelo ministro da Fazenda, é portanto relativa, pois o dinheiro não se esvairá pelo buraco negro do sistema mas ficará gerando movimentação financeira e irrigando a economia.
Pela ótica governamental, estabilidade econômica deve ser governo rico, com muito dinheiro em seus domínios, mesmo com a exaustão do meio, que é o que gera e multiplica a riqueza. Embora o retardo na aprovação seja uma manobra de caráter puramente politiqueiro, uma espécie de vingança do PFL contra o governo, por haver, também por estratégia oportunista, frustrado a caminhada do partido rumo à Presidência por via da então candidata maranhense, envolta em denúncia de roubo de dinheiro público agem pelo menos em consonância com a vontade nacional os membros recalcitrantes do Parlamento.áá
Agora é apresentada emenda que propõe a distribuição da CPMF também para os Estados e municípios, o que não ocorre hoje pelo fato de esse tributo ser uma contribuição, criada para ser provisória mas que já é permanente e por isso ganha caráter de imposto. O ideal seria a derrubada definitiva dessa cobrança, o que proporcionaria um grande benefício à economia nacional.





