A alta cotação do dólar desestimula o turista brasileiro a viajar para o exterior e indica-lhe a opção pelo turismo doméstico, mas o empresariado nacional do setor persiste na insensatez e perde a oportunidade de mais ganhos, porque também eleva os preços. A própria Associação Brasileira dos Agentes de Viagens faz críticas a esse comportamento, que demonstra imaturidade empresarial. De setembro do ano passado até esta data – período do pós atentado que abalou os Estados Unidos e desencorajou muita gente a fazer vôos transnacionais – o empresariado do turismo brasileiro, ao invés de aproveitar a grande chance, subiu os preços dos pacotes internos. O resultado foi uma diminuição do fluxo, ocorrendo um empate com o movimento do período anterior. O mercado abriu a oportunidade, que não foi sabiamente aproveitada; ao contrário, dinamitada no próprio meio.
  Naturalmente que, ainda assim, a opção por viagens dentro do País é muito mais econômica, mas falta, aos empresários da área, visão mais ampla para explorar este momento propício e atrair os turistas internos e buscar também os estrangeiros, para quem o alto poder de compra do dólar, no Brasil, o favorece. Sem a intensificação da propaganda externa – tarefa que cabe também ao governo – a maior parte dos turistas não sabe dessas vantagens. Algo já está sendo feito, mas ainda timidamente. Quando tanto se defende políticas de incentivo às exportações, pela necessidade de divisas, perde-se a preciosa ocasião de ‘‘importar’’ turistas, porque, para eles, o Brasil é hoje o país mais barato do mundo.
  Apesar de tudo, mesmo com a diminuição pontual do fluxo interno – pois ele poderia ser maior – na soma geral ocorreu um aumento, mas não por mérito do setor e sim pela pressão da alta do dólar, que, definitivamente, desencoraja o turista de classe média e média alta a aventurar-se em viajar para fora. Se isto constitui um peso favorecedor na balança comercial brasileira, deveria haver uma intensa contrapartida na captação do turista estrangeiro.
  Paralelamente, há que melhorar a infra-estrutura lojística de certos pontos turísticos inigualáveis e não existentes em outra parte do mundo, como o Pantanal mato-grossense e a Amazônia. Afora motivar o turista interno, não há hora mais oportuna do que esta para abarrotar o Brasil de turistas de fora e, assim – além de auferir divisas – fazê-los propagandistas das belezas naturais e humanas que este país oferece.

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