OPINIÃO DA FOLHA - Onde o Procon não se envolve
O problema mais grave dos bancos não é o longo tempo de espera a que submetem o cliente, nas filas, mas os juros perversos que cobram. Ontem este jornal mostrou que alguns deles já chegaram a juros rotativos de 13% ao mês, seguindo na mesma linha um gigante do supermercadismo, com taxa também naquele patamar, e os cartões de crédito operando a 10,11% ao mês para as contas dos clientes em atraso.
É falsa então a concepção de que o custo de vida está estabilizado, por conta da apregoada contenção inflacionária, porque se certos produtos, notadamente os da cesta básica, estão mais ou menos regulados, quem paga por eles com cheque especial a descoberto ou com cartão, e não cobre o débito no prazo, tem que contabilizar aqueles juros. E hoje a maioria dos cidadãos se utiliza desses instrumentos de crédito e do sistema de compra a prestação, caindo inevitavelmente no buraco negro da especulação financeira.
Nem cabe perguntar porque o governo não interfere, pois é exatamente ele que estimula a cobrança de juros altos, para não aquecer o mercado e, segundo a concepção da equipe econômica oficial, evitar uma corrida às compras e o aumento da inflação. Tal até poderá ocorrer, pelo impatriotismo de comerciantes especuladores, que começarão a aumentar preços em face da demanda, mas os tempos já estão mudando e o comprador está ficando mais atento. Muito pior é a queda da produção e das vendas, pela recessão, gerando desemprego, que leva a nação a caminhos de miséria e à prática de roubo e de atentados violentos ao patrimônio alheio.
É, portanto, o governo aí instalado que favorece essa política. Tanto que notícia de ontem deste jornal diz que agentes do Procon-Pr, com sede na Capital, vêm a Londrina fiscalizar postos de combustíveis e bancos, mas, com relação a estes, só para ver a questão das filas diante dos caixas. O principal, que é a cobrança dos juros assassinos, que atingem mais o cliente que a dor nas pernas por ficar em pé, isto passa ao largo, quando tem tudo a ver com o consumidor.
Se é necessário eliminar com o abuso das filas que existem porque os bancos querem fazer economia de funcionários, deixando equipamentos inoperantes, como se pode observar muito mais grave é o assalto ao consumidor representado pelos juros exorbitantes dos bancos, das financeiras, dos grandes conglomerados varejistas e do sistema de cartões de crédito. O Procon, então, é só para pequenas causas...





