OPINIÃO DA FOLHA - Obscurantismo das religiões
O avanço tecnológico alcançado pela humanidade contrasta com o obscurantismo em que ainda vivem certos povos, produto de crenças e fanatismos religiosos, de que foi exemplo a destruição das estátuas budistas pelos fundamentistas talibans, recentemente, e agora a anunciada condenação da jovem nigeriana pela lei islâmica e a excomungação, pela Igreja Católica, das mulheres ordenadas sacerdotes. O episódio nigeriano é dos mais cruéis: uma mãe divorciada, de 30 anos, está condenada a morrer apedrejada por haver engravidado e gerado uma filha, porque a lei considera isso adultério, passível de pena capital e, ademais, executada com rito de perversidade.
Mas, se ainda se compreende que tal ocorra em região atrasada como o extremo norte da Nigéria, difícil é entender como a Sé católica, instalada no coração da moderna Europa e progressista em muitas questões do mundo contemporâneo, obrigue a que sete mulheres que receberam ordenação sacerdotal de um bispo dissidente, na Áustria, se arrependam publicamente desse cometimento. A congregação vaticana que trata do assunto declara que as mulheres não demonstraram nenhum sinal de arrependimento pelo ''grave crime'' e por isso são castigadas com a excomungação, que pode ser realizada somente em presença do Papa. Pelo código canônico, os ordenantes e essas mulheres cometeram ''falta extremamente grave''.
O fanatismo religioso tem escrito a história da maioria das guerras, pela vinculação da Igreja com o Estado, abolida em muitos países mas ainda presente em certos regimes governamentais, porém os seus fundamentos continuam os mesmos dos tempos medievais. E enquanto ainda acontecem o barbarismo, como o da lei islâmica na Nigéria, o conservadorismo renitente da Igreja Católicaáá, agora demonstrado, e as guerras de cunho religioso no Oriente Médio, na Irlanda e em outras partes do mundo, uma infinidade de outras corporações religiosas dissemina templos pelo Brasil e ocupa extensos horários em redes de rádio e televisão, alimentando um verdadeiro mercado de fé que se alicerça na arrecadação financeira. É o predomínio ainda vigorante do culto do atraso.





