Já se tornou chavão, porque prática frequente, dizer-se a cada eleição que resta ao eleitorado escolher o menos pior entre os candidatos. Uma realidade que poderá persistir por longos anos, equivalente ao tempo que levar para que a sociedade primeiro melhore a si mesma, porque os políticos são produto do meio. Também é chavão, mas verdade cristalina, que o povo tem os governantes que merece ter. Porque os políticos emergem de entre os cidadãos, e são estes que os elegem e também os esquecem logo que eles assumem, justamente quando mais deveriam policiá-los.
Não serão os políticos que irão mudar a face da sociedade, e sim ela que irá produzí-los, à sua imagem e semelhança. Cidadãos mais aptos para exercer cargos de comando na vida pública também existem no meio social, e em boa quantidade, mas estes ou não são convidados ou recusam-se a filiar-se em partidos políticos que é o primeiro passo para os que ambicionam lançar-se candidatos ou se figuram no quadro partidário são desprezados em favor de outros, menos capazes porém mais ardilosos e mais afeitos a composições.
Na presente eleição presidencial a regra não se altera. Os três candidatos mais em evidência carregam os seus estigmas e, de novo, a população defronta-se com o dilema de ter de valer-se do que lhe é servido, sem outras opções. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que desponta nas pesquisas, tem a marca de pertencer a um partido popular que não é da simpatia do brasileiro, por natureza conservador e avesso a idéias que lembrem greves, atos públicos e manifestações do gênero, algo bem acentuado na história do candidato e do seu partido. Se os tempos mudaram e o Partido dos Trabalhadores também, ainda assim a população não sabe o que acontecerá com essa corrente político-ideológica investida do poder.
O candidato governista, José Serra, herda o ranço do governo de FHC e da comunidade que o cerca, e o desagrado do povo está manifesto na rejeição que as pesquisas eleitorais mostram. A continuidade do que aí está, nem pensar! Ciro Gomes, que marcha acelerado com chance de chegar a um segundo turno com o candidato petista, já mostra os seus penduricalhos. Ninguém menos que Antonio Carlos Magalhães e a família Sarney, políticos que a sociedade não aprova como modelo, porque já os experimentou e os conhece bem. Governar de novo com essa gente será um retrocesso, a volta a um passado que a nação já imaginava morto. Se a população brasileira vai contando os dias que faltam deste governo, ansiosa para que acabe, as perspectivas do próximo estão também envolvidas por denso nevoeiro, que impede o vislumbre de um horizonte claro.

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