OPINIÃO DA FOLHA - O troco aos vendilhões
Terá sido em vão todo o discurso de dar o troco aos deputados que votaram pela venda da Copel se, agora, o eleitor já tenha esquecido e reeleja os parlamentares vendilhões. Ontem comemorou-se o primeiro aniversário da campanha do povo, dos deputados paranistas e dos estudantes que se posicionaram contra o negócio, tão desejado pelo governo e pelos que, em troca de benefícios alguns publicamente manifestados ignoraram a vontade de 97% dos paranaenses e, no momento de decidir, optaram pela conveniência pessoal em desprezo do patrimônio público. A empresa só não foi negociada porque faltou comprador.
Os nomes dos 27 parlamentares que votaram pela dilapidação da Copel são conhecidos e basta buscá-los na listagem. Eles todos estão, outra vez agora sim dando importância aos cidadãos pedindo votos para reeleger-se, e sem a menor desfaçatez, porque contam com a generosidade do esquecimento, muito presente no eleitorado. É hora de a sociedade tão ignorada e desrespeitada na ocasião assumir agora uma atitude idêntica de cidadania e cumprir o compromisso de não reconduzir ao poder esses parlamentares inimigos do Paraná. A questão não é de vingança mas de dignidade e de postura política, ou nunca se reformará os quadros que militam na vida pública e nem se construirá a sociedade consciente que se deseja.
Há opções melhores do que essas figuras já marcadas e que não mudarão sua linhagem. Alguns deputados e não apenas os que desdenharam da opinião pública no episódio da Copel, mas entre eles nomes envolvidos em denúncias de corrupção em outros casos, e candidatos a esferas mais altas com processos na Justiça por apropriação de dinheiro público não podem simplesmente passar pelo túnel do esquecimento na memória do eleitor, até como medida de saneamento das instituições. A campanha da população, dos bons políticos e dos estudantes contra a venda da Copel não se encerrou e deve ter continuidade, até o momento das urnas. O veredicto precisa ser dado pela ação do voto.





