OPINIÃO DA FOLHA - O risco da dengue
Todo início da primavera, quando o clima torna-se mais quente e úmido, traz uma nova preocupação aos agentes de saúde: o risco da dengue. Apesar de ser uma "velha conhecida" da população e de controle relativamente fácil, o número de casos tem aumentado anualmente. Só para se ter uma ideia, o último período epidemiológico (entre julho de 2013 e agosto de 2012) foi considerado o pior já registrado, com 54.716 casos confirmados 147 com complicações e 82 com quadro de febre hemorrágica e 23 mortes.
Além disso, agora a preocupação é maior porque entrou em circulação no Paraná o vírus tipo 4, identificado nesse último período. A entrada de mais uma variante abre caminho para "recontaminações", condição que pode evoluir para casos mais graves da doença. Embora os gestores públicos já tenham começado a desenvolver ações para impedir que a epidemia não se repita ou que o quadro seja agravado o apoio maior tem que partir da população. A conscientização é fundamental.
As pessoas devem ter ciência dos riscos da doença e devem estar empenhadas em contribuir para a não proliferação do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue. A reprodução do inseto ocorre em água limpa e parada e, por isso, o cuidado deve ser constante. A transmissão é feita a partir da picada da fêmea do mosquito infectada pelo vírus. Para se ter uma ideia, em 45 dias de vida, um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas.
Além das campanhas de conscientização e do trabalho dos agentes públicos tanto na erradicação dos focos, quanto na agilidade do diagnóstico , o engajamento do Ministério Público é fundamental. Proprietários de terrenos com focos têm que ser responsabilizados porque o interesse coletivo deve se sobressair. Outro trabalho a ser feito é junto aos recicladores. Se já foi constatado que o acúmulo desses materiais representam mais de 50% dos criadouros do mosquito, é importante um trabalho de orientação desses trabalhadores. O armazenamento desse material deve ser melhor orientado a fim de contribuir com a saúde pública. As ações devem ser contínuas e o empenho de todos é fundamental.





