Costuma-se dizer que não são os produtos que estão caros mas o ganho do brasileiro que é baixo. Bens de consumo imediato e bens duráveis têm um custo fixo de produção. Então, se não é possível alterar esses valores, há que melhorar o rendimento salarial dos trabalhadores. Está certo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) ao defender um salário mínimo de R$ 1.129, para cobrir todas as necessidades familiares básicas.
Mas na atual situação econômica a maioria das empresas não tem condições de sustentar um tal nível, porque os encargos sociais incidentes duplicariam aquele valor. Ainda é melhor, então, uma empresa em atividade do que uma empresa quebrada, porque aí cairiam no desemprego não apenas os trabalhadores mas também os patrões. Esta a triste realidade do Brasil, que continuará sendo um país rico mas de povo pobre a persistir tão baixa remuneração para quem trabalha e que, afinal, representa a massa consumidora e sustentadora da economia.
Agora, no calor da conquista do pentacampeonato mundial de futebol, o governo sorrateiramente impingiu aos brasileiros cinco iguais aumentos de serviços, como energia elétrica, combustível, gás de cozinha, telefone, e um reajuste do seguro apagão. O salário mínimo sobe pouco mais de R$ 20, enquanto o aumento daqueles ítens ultrapassa a alta do ganho básico do trabalhador. Ocorre que o salário mínimo é também referencial para fixação de outros ganhos, como o da aposentadoria, e outros cálculos.
Há um enorme descompasso entre o ganho do trabalhador e sua necessidade, porque a vida de uma família não depende só de cesta básica (cujo maior volume de ítens é alimentar), e as pessoas não são apenas consumidoras orgânicas. A carga tributária é muito pesada sobre a produção e os serviços, e a que incide sobre o salário é simplesmente perversa, porque, pela via dos ditos encargos sociais, o governo tira da empresa o dobro do que ela paga a cada empregado. Um valor que a classe patronal pagaria de bom grado se ele fosse destinado não ao bolso esbanjador e desperdiçador do governo, mas canalizado para a massa assalariada. Enquanto o governo confisca dinheiro que poderia ser incorporado ao ganho e à melhoria da vida do trabalhador, uma nação será sempre pequena.

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