OPINIÃO DA FOLHA - O país é seguro
Se a cotação do dólar oscila em função de boataria, o risco-Brasil é apenas uma condição temporária e não uma realidade permanente, não devendo portanto servir de referência para avaliar se este é ou não um país bom para se investir. Se o investimento é especulativo, certos momentos são bons em determinado país e poderão já não ser no momento seguinte, em função do próprio sistema nervoso do universo da especulação. Se simples baixas ou subidas na preferência eleitoral, por este ou aquele candidato à Presidência, fazem o dólar oscilar e os especuladores do mercado volátil investirem ou recuarem, isto só vem atestar que a política que rege essa dinâmica é meramente especuladora.
Certamente que não há no mundo lugar melhor que o Brasil para se investir, e não serão oscilações nas bolsas e no valor do dólar que irão negar a qualidade deste país para a implantação de negócios. Se a nação atravessa uma crise econômica, em função das políticas equivocadas do governo, não pode haver risco num país das dimensões territoriais do Brasil, quase inteiro por explorar, onde a cada ano crescem as safras agrícolas, sem fatores impeditivos, com uma população relativamente baixa e de maioria jovem e com anseios de instalar seu negócio ou ampliar o que já possui, e com vontade de adquirir bens e melhorar sua condição de vida.
Apesar da ação na maioria das vezes nefasta dos governos, que colocam pedras de tropeço pelos caminhos do Brasil-cidadão que quer avançar, ou da inoperância que retarda o desenvolvimento como ocorre com o atual governo este não é de forma alguma um país de risco, mas de segurança.á A participação de bons administradores públicos e de um Congresso atento para as necessárias reformas fariam, certamente, as coisas mais fáceis, mas não se haverá de medir a importância de um país e de sua gente pelo eventual risco que ofereça àqueles que só desejam especular. Com 170 milhões de cidadãos, não obstante os muitos desempregados e inseguros, porém ávidos de trabalhar e de consumir mais, de reformar-se internamente e de melhorar os padrões, não há razão para qualificar o Brasil como um país de risco. Este é, antes, um país com todos os requisitos para ser uma futura garantia ao mundo.





