Comunicado da rede Wal-Mart Brasil, publicado ontem neste jornal, manifesta seu interesse em instalar-se em Londrina, apesar da resistência de alguns segmentos e inclusive um certo dificultamento imposto pelo poder público municipal. A manifestação da Wal-Mart confirma o que foi dito recentemente neste espaço da Folha, de que esse gigante grupo mercadista estava, de qualquer modo, disposto a investir na cidade, e em sua manifestação pública a primeira que ocorre afirma que Londrina é um mercado que tem grande potencial de consumo e ''identificação com a política de preços baixos praticados pela rede''. Ao defender seu propósito, a Wal-Mart afirma que ''atua localmente, desde a contratação de seus funcionários na região em que se instala até a realização de investimentos em programas sociais'', e que Londrina é ''uma cidade bem administrada e que oferece estrutura ideal para a instalação de uma loja Wal-Mart Supercenter''.
Desde que tomou essa decisão o que aconteceu após haver pesquisado o potencial econômico local e regional a Wal-Mart foi adotando os procedimentos pertinentes. Ao escolher o local, optou pela indicação de um ponto central, a área onde se localizava o complexo de três amplos edifícios do tradicional Colégio Londrinense, misteriosamente derrubados 40 anos atrás pelo seu proprietário, o professor e pastor Zaqueu de Melo. A pressão sobre o prefeito, por parte de segmentos pouco receptivos à vinda desse grupo, resultou na desapropriação daquele terreno.
Mas faltava a justificativa para a medida e então sacou-se do baú o antigo projeto do Teatro Municipal, colocando-o virtualmente sobre aquele espaço. A comunidade cultural entusiasmou-se, mas sabe-se que o ato desapropriatório é apenas uma assinatura sobre papel, porque o pagamento correspondente não foi efetuado, pela elevada soma e pela falta de verba. E nem agora e nem em futuro próximo haveria dinheiro de sobra para um tal empreendimento, considerando-se a tão alardeada situação de penúria financeira da prefeitura.
Mesmo ante a hipótese de se obter reforços de fora, pagar tão cara desapropriação e construir esse centro de espetáculos algo certamente grandioso representaria uma elevada aplicação de dinheiro público. E o bom-senso recomenda moderação, porque os assentamentos da periferia só para citar um dos problemas sociais constituem grandes bolsões de miséria e reclamam prioridade. Tudo isso sem desprezo do projeto do ambicionado teatro, que haverá de ser construído, porém melhor será em área de que a prefeitura já dispõe, ou fora, onde o terreno poderá ser maior e a custo bem mais baixo. O argumento de distância não prevalece, porque também estão na periferia o estádio de futebol, o autódromo, as universidades, o principal shopping center, e nem por isso o povo deixa de ir.
A publicação da Wal-Mart tranquiliza, porque significa que, naquele ou em outro terreno, o hipermercado se instalará em Londrina. Quanto à área desapropriada, continuará na mesma situação, porque sabe-se que não haverá Teatro Municipal tão cedo, nem ali e nem em outro lugar. Porque no atual mandato municipal não acontecerá, e pela Lei de Responsabilidade Fiscal uma obra não pode ser iniciada numa administração e repassada incompleta para a seguinte. De qualquer modo, é prudente liberar a área anulando a desapropriação, para que esse entrave não dificulte o uso daquele terreno para um outro empreendimento. O poder público não deve frear o crescimento da cidade, mas, ao contrário, ser um de seus agentes.

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