A crise no Porto de Paranaguá já reflete na Bolsa de Chicago, por conta do atraso nos embarques, para não falar do prejuízo interno, calculado em mais de 50 milhões de dólares até ontem. A situação no maior porto exportador de grãos do Brasil é de meia centena de navios aguardando para atracar e uma fila de 80 quilômetros de caminhões esperando a vez de mobilizar-se e descarregar.
O mercado reage prontamente, porque não opera por razões políticas e não deseja saber se a crise é passageira, se motivada por deficiência estrutural, se por interesse das empresas de operação portuária ou incompetência da administração do porto. De qualquer modo, a estrutura do embarcadouro deixa a desejar e compromete a logística, ou seja, a precisão dos cálculos de sua dinâmica funcional, que envolve cargas chegando em grande escala e em processo contínuo, navios aportando no mesmo ritmo e, no centro disto, o sistema de captação e reembarque de mercadorias, tudo implicando em prejuízo elevadíssimo se houver quebra dessa sincronia.
Por trás desse movimento paralisante estão as operadoras portuárias que objetivam derrubar a diretoria da Associação dos Portos de Paranaguá e Antonina APPA , a cuja frente está o superintendente Eduardo Requião. Este atribui o movimento a um boicote das operadoras, segundo ele motivado pela proibição do embarque de soja transgênica nos portos paranaenses, por decreto do governo Requião, e pela determinação da superintendência de impedir a entrada de caminhões que não tiverem sua carga já predeterminada para o embarque em um navio a questão logística. A APPA também acusa as operadoras de servir-se dos caminhões parados como armazenadores, assim poupando gastos na utilização dos silos portuários. A paralisação não é unânime, porque a massa dos trabalhadores do porto de Paranaguá é contra, e ontem alguns segmentos voltaram à ativa.
Os tentáculos dessa crise alcançam também os caminhoneiros, que, em manifesto público, resolveram apoiar o superintendente mas desejam em contrapartida receber R$ 1 por hora parada, ou podem bloquear a entrada do porto, o que agravaria a situação.
Independente do impasse que agora ocorre, certo é que o Porto de Paranaguá já não suporta o enorme volume de demanda, motivado principalmente pelo aumento sucessivo da produção agrícola de exportação a paranaense e a mato-grossense, que escoa por ali. Caminhões parados já não são novidade, porque filas acontecem todos os anos. A atividade do porto é lucrativa, havendo, portanto, recursos para ampliações, e se tal não ocorre é por inépcia governamental. O problema passa a ser não só da esfera político-estratégica do Paraná mas do Brasil, pois compromete a meta nacional de incremento do comércio exterior. Deve, portanto, ser também uma preocupação do governo federal.

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