OPINIÃO DA FOLHA - O frango e o Real
A semana que se inicia promete ser de sobressaltos para a economia brasileira. Infelizmente, embora pessimista, é a previsão que se pode esperar, como pode ser conferido na reportagem publicada hoje no caderno Folha Classificados & Negócios, quando um governo chega aos seus últimos meses literalmente combalido.
Na edição de ontem, a Folha de Londrina levou aos leitores um balanço do setor avícola, em duas páginas de reportagem especial, onde se destaque que o frango motivou dezenas de discursos do presidente Fernando Henrique Cardoso, na boa fase do Plano Real. Para ele, o Real funcionava tão bem que a maioria dos brasileiros tinha condição de dispor do frango na mesa. Assim, improposital e infundadamente, FHC transfomou este prato num símbolo de seu plano.
Equivocou-se, pois no máximo o Real contribuiu para a predominância de um mercado favorável ao produto por uma determinada temporada. Esta situação, aliás, de criar condições propícias para a produção brasileira, é a função de qualquer plano econômico, e não somente do Real. Da mesma forma, o plano de FHC tinha a obrigação de proporcionar à mesa da família brasileira não somente o frango, mas muito mais, para devolver fartura e abundância aos trabalhadores.
Pois como se fosse uma resposta clara ao governo, hoje o frango do Real enfrenta uma situação estranha para o consumidor, mas muita clara ao produtor. O preço da carne avícola rasteja, mas o produto não tem prioridade na mesa. As exportações sofreram queda de quase 15% somente em maio. E, na avaliação de especialistas do setor, embora fundamentalmente proteíco, o frango continua sendo uma mistura para acompanhar o arroz e o feijão, o que lhe confere uma instabilidade: a mistura, na hora do aperto no orçamento doméstico, é eliminada do cardápio.
Se há aperto, o plano de FHC, como é visível, por oito anos apenas especulou uma melhora na economia brasileira. Porque apenas segurou a moeda, imputando à economia uma paralisação forçada. O Brasil, consequentemente, parou, enquanto as dívidas interna e externa cresceram. Portanto, cabe ao eleitor, neste momento, ter a certeza que esta crise que agora se enfrenta não se chama ''efeito Lula'' ou algo parecido. Esta crise tem um nome: assim como o frango, o Real abre o bico.





