OPINIÃO DA FOLHA - O fechamento do hipermercado Big
Se um supermercado como o Big fecha as portas, em Londrina, não é certamente porque a cidade ''não se adaptou à dinâmica dos hipermercados'', como afirmou a diretoria da empresa por intermédio de sua assessoria de imprensa. Porque outros gigantes do ramo já atuam em Londrina há bastante tempo, com bom movimento, e isso demonstra que a afirmação não tem consistência. Com toda a certeza a meta de vendas não foi atingida, razão suficiente para encerrar atividades, e se tal ocorreu foi porque a freguesia não foi atraída ou a pouca que existia afastou-se. A distância não seria um motivo, porque o Carrefour, por exemplo, está localizado em zona periférica embora ao lado de um shopping center e também não estão em área propriamente central o Atacadão, o Super Mufatto da rua Duque de Caxias, o Condor, e esses estabelecimentos não contam apenas com os compradores da vizinhança mas de toda a cidade e das populações vizinhas.
Algo falhou no gerenciamento desse hipermercado do grupo Sonae, acreditando-se que tenha a ver com atendimento, porque todos os demais que se instalaram em Londrina estão funcionamento plenamente, com clientela regular, e as redes mais antigas ampliaram suas instalações. A expansão não parou aí, porque os grupos já estabelecidos planejam instalar novas unidades, e exatamente neste momento a gigante Wal-Mart chega, pesquisa o mercado e conclui que é bom instalar-se aqui. Se tal ainda não aconteceu foi por entrave do poder público municipal, fato já suficientemente conhecido da população. O negócio dos super e hipermercados vem de contínuo crescimento, em Londrina, a demonstrar que a praça dá suporte.
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina Codel, órgão vinculado à Prefeitura , Gabriel Ribeiro de Campos, declara lamentar o ocorrido e a sorte dos 110 funcionários do Big que ficaram desempregados. Na contrapartida, o chefe do mesmo Executivo municipal dificulta a vinda do Wal-Mart ao desapropriar abruptamente um terreno central que a rede havia escolhido para estabelecer-se. Um hipermercado que fecha e desemprega e outro que não abre (ou é induzido a, eventualmente, não abrir), tem o mesmo significado quando se pensa em emprego. Há no mínimo um descompasso de posições entre o que pensa a Codel a decisão do Palácio Municipal uma observação que se faz apenas en passant, para não perder a oportunidade desse registro.
É realmente lamentável saber-se que uma empresa encerra atividades em Londrina, cidade pouco habituada a retrocessos e mais acostumada a espetáculos de crescimento. E tal não é sonho, mas realidade, comprovada pelo padrão a que esta metrópole chegou em tão poucos anos de existência. A saída do Big é um fato isolado, que ocorre por questão de desempenho da própria empresa e não reflete debilidade do setor, que, ao contrário, está em acentuada expansão.





