Uma amostragem de que o Brasil pode dar certo, e que tal depende muito menos dos governos e mais dos brasileiros, é o que ocorre em Santa Catarina. Ali, na última década, houve uma queda de 46% no número de pobres e de 64% no de indigentes, o que representou o melhor desempenho nesse campo, no País. Isso ocorreu por um fenômeno simples: o Estado teve uma forte melhora na distribuição de renda, o que vem se acentuando a cada ano, prevendo-se que ainda irá melhorar, face à solidez do modelo. A raiz desse crescimento é o pequeno negócio, a disposição dos empreendedores envolvidos, o associativismo, o apoio técnico e o abandono da competição predatória. Num Estado onde predominam minifúndios de até 30 hectares, pequenos e médios produtores desenvolvem com grande sucesso a criação de frangos, porcos, ovelhas, peixes, leite, ovos, grãos, hortaliças, frutas, ervas e mel. Mas não apenas a agricultura, porque outras atividades, operando em sistema idêntico, vêm obtendo sucesso e eliminando a pobreza.

O Instituto Brasileiro de Estudos do Trabalho e Sociedades, que se ocupa da pesquisa das políticas sociais e fez esse levantamento no vizinho Estado, observa que em Santa Catarina os ativos que geram riqueza, como a terra, tecnologias e educação, estão muito melhor distribuídos que no resto do Brasil, resultando na redução da desiguldade social. Embora a influência da tradição européia implantada pelos imigrantes italianos e alemães, tem havido nos últimos quinze anos, em SC, um impulso de empreendedorismo, de associativismo e de fortalecimento do pequeno negócio, resultantes de uma mentalidade nova que foi se plasmando. Quem for a Santa Catarina pode observar que impera, ali, um clima de desenvolvimento, tanto na agricultura como na indústria, no turismo e nos serviços. São muitos os que, egressos de grandes empresas, utilizaram seu conhecimento para implantar o próprio negócio. E, quando o empregado é o patrão de si mesmo, não há discriminação de idade e ninguém é mandado embora por ser velho.

Se esse modelo de expansão da riqueza e de afastamento da pobreza está dando certo no Estado sulino, pode dar certo em todo o Brasil. Atente-se que em Santa Catarina predomina a pequena propriedade rural, com terras não tão férteis originariamente, embora cuidadas. Proliferam também os pequenos negócios em outros setores, e a prosperidade é visível, a consagrar o regime de associação, a presença da tecnologia, o intercâmbio de informações e, sobretudo, a convicção de que é possível quando há empenho. Certamente que esses pequenos e médios empreendedores estão menos voltados para as decisões de Brasília e mais para o próprio negócio, conscientes de que não serão governos que construirão o Brasil grande que todos almejam, mas os próprios brasileiros.

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