A festa de encerramento dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana, foi de encher os olhos de lágrimas. Porém, nem sempre as emoções foram provocadas por cenas de felicidade. Na decisão do vôlei feminino, por exemplo, enquanto o Brasil perdia para os Estados Unidos, deixando escapar o bronze, e o selecionado local se preparava para enfrentar Cuba, a polícia da República Dominicana dava sua prova de inteligência: conteve um tumulto provocado por parte do público, que queria entrar no ginásio de esportes já com a capacidade de lotação esgotada, com pimenta em spray.
A ação fez praticamente todos os presentes encherem os olhos: atletas, técnicos, cartolas e as milhares de pessoas que tomavam as arquibancadas não suportaram o ardor e choraram. As meninas do vôlei de Cuba e República Dominicana foram obrigadas a se recolher aos vestiários. As do Brasil e dos Estados Unidos, em final de partida, suportaram na quadra os efeitos do despreparo da polícia local. É razoável lembrar que a decisão do ouro, que ficou com a República Dominicana, foi assistida pelo presidente do país e pela Miss Universo.
Já na noite de domingo, no encerramento da festa, os discursos das autoridades foram mais longos que os espetáculos programados para o evento. Não é possível avaliar, entretanto, se os conteúdos foram mais atraentes. O que se viu foi uma mistura típica de cenas oficiais, populares e popularescas, bem ao gosto dos presentes. Miss Universo, mais uma vez, foi destaque. E o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, levou a Mangueira e o cantor Alexandre Pires para fazer o povo sambar e cantar.
Inegável, o grande painel com a panorâmica do Rio de Janeiro, tomando todo o gramado do estádio onde ocorreu a festa, causou surpresa. Assim como as montagens representando o Corcovado e enaltecendo o Cristo Redentor.
Também incontestável que, apesar da pobreza de conteúdo, o espetáculo agradou, até na parte oficial, com os soldados arriando os estandartes da República Dominicana e hasteando os do Brasil. Demorado, em função do ritual que a cerimônia exige, foram momentos que emocionaram.
Mas lá veio a Mangueira, com porta-estandarte e mestre-sala, passistas, cabrochas e bateria. Atrás, a delegação brasileira. Alguns atletas com penas verdes e amarelas presas à cabeça imitavam índios, inclusive com o típico manifesto nativo feito com a boca nas danças dos silvícolas. Politicamente incorreto em relação aos indígenas. Inadequado para o momento e deprimento para os brasileiros que, de longe, pela tevê, assistiam a festa de encerramento. Depois reclamam que o estigma do Brasil, lá fora, é este.

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