O consumidor não tem como suportar tantos reajustes tarifários. Somente no período próximo à final da Copa do Mundo, ele já arcou com altas de energia, do seguro apagão, do combustível, do gás de cozinha e do telefone, sem considerar os aumentos que vieram a reboque, embutidos nos preços de produtos de primeira necessidade, em consequência da elevação da carga tarifária para a indústria.
Mas a informação que este jornal publica hoje, em suas páginas de economia, infelizmente deve causar indignação e revolta entre estes consumidores, que acima da condição de usuários de algum serviço ou compradores de produtos vários, são contribuintes e direta ou indiretamente recolhem aos cofres públicos somas consideráveis.
Pois, no caso do Paraná, menos de um mês depois de a tarifa de energia elétrica sofrer reajuste de 10,96%, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) está solicitando a autorização de um novo aumento à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que pode variar de 7% a 10%.
A justificativa para mais este desfalque no bolso do consumidor de energia, e que de acordo com a Aneel seria um ''reajuste extraordinário'', é a necessidade de compensar para as distribuidoras o desequilíbrio econômico-financeiro dessas empresas com a mudança nos critérios de baixa renda, determinada pelo Ministério do Apagão.
Lê-se também na reportagem sobre o assunto que a Copel, embora ainda não saiba de quanto será o reajuste no Estado, imputa à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) o ônus do novo reajuste.
A legislação, portanto, aprovada e sancionada para impor critérios às administração públicas, passa mais uma vez a servir de escora. Na ótica do poder público e de suas empresas, deixa-se de fazer obras importantes por causa da LRF. Ou, de acordo com essa mesma ótica, cobra-se mais do contribuinte por causa da LRF.
Oportuno, como se lê, o posicionamento manifestado na reportagem pelo consultor em energia elétrica Ivo Pugnaloni. Ele diz que, prosseguindo o modelo de privatização, ''a população vai assistir a choradeira das distribuidoras que para manter seus lucros vão bater na porta do poder público o tempo todo''.
Somente o consumidor, com a escolha certa de seus representantes, poderá frear essa prática que já se tornou comum e aperta cada vez mais o orçamento doméstico.

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