Num momento de tensão, em que o proprietário rural vive o temor de ter sua terra invadida, a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina que se encerra hoje mostra a pujança da agricultura e da pecuária e de quanto é importante para a economia nacional esse segmento da cadeia produtiva. Só alguém destituído de bom senso pode imaginar que seja o produtor rural, instalado em sua propriedade e tocando legalmente o seu negócio, o responsável pela existência dos colonos afastados da terra e habitando sob lonas nos acampamentos. É essa imagem negativa que as lideranças do MST desejam passar à sociedade para justificar as invasões, que já não respeitam nem as terras em franca produção.

Uma visita ao Parque Ney Braga, onde se realiza a Exposição, mostra a pujança não apenas da pecuária, em todas as suas variáveis, mas também os experimentos da agricultura, cada vez mais produtiva e estribada em adiantada tecnologia. Paralelamente, ao lado do gigante negócio da pecuária bovina gigante em seu conjunto e sem a figura de marajás avançam os segmentos agregados, como a produção de carnes de aves, suínos, ovinos, caprinos, peixes e outras, a hortifruticultura, a agro-indústria de grande porte e a doméstica, assim como o artesanato, para não se falar de todo o extensionismo do negócio agrícola e pecuário, desde que o produto sai do campo e vai passando pelos processamentos que o levam às prateleiras dos mercados. Isso somado representa o sustentáculo econômico da nação brasileira. Defender o campo é, portanto, questão de segurança nacional.

Ressalte-se, como se tem dito à exaustão, que é o agronegócio em que atuam grandes, médios e pequenos produtores, incluindo-se os da agricultura familiar o responsável pela garantia de milhões de empregos, numa nação carente de postos de trabalho, e pela receita de moeda externa por via da exportação. Permitir a perturbação da ordem social nesse segmento produtivo, que é ordeiro e pacífico, é um contra-senso e uma falta de prudência governamental e da própria sociedade. Se há no País grandes extensões de terras inaproveitadas são 90 milhões de hectares ainda por explorar é para ali que devem se voltar os projetos de assentamento dos colonos sem-terra e de todos quantos, mesmo sem prática e tradição no ramo, desejem aprender o ofício de lidar com a atividade rural.

O Governo federal, pela voz de alguns de seus proeminente titulares, e também Governos estaduais de linha de centro-esquerda, apoiam a marcha dos sem-terra mas pouco têm feito para solucionar o problema deles. Isso significaria abraçar a causa com amor patriótico e promover uma autêntica revolução agrária. Que não se limita a assentar gente mas dar a sustentação que um plano desses exige e que os governantes sabem qual é, ou, se não sabem o suficiente, podem contar com a sabedoria técnica e a lojística disponíveis. Falta um grande projeto nacional nesse campo, e se o Governo se empenhar nele verá que as forças vivas da nação, incluindo as lideranças rurais, estarão prontas para cooperar.

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