As ameaças do coordenador do Movimento dos Sem-Terra, João Pedro Stédile, de infernizar o Brasil com invasões de terras neste mês de abril, geraram um clima de intranquilidade geral, e não só no meio rural. Mesmo que advertido sobre as sanções legais a que está sujeito, pela incitação à desordem pública e à violência Stédile tenha tentado, depois, amenizar o tom de suas palavras, sabe-se que ele não se converte em cordeiro só por isso e que seu aparente recuo não passa de estratégia. A reação das instituições responsáveis deste país, atentas aos princípios da lei e da ordem, foi pronta, e ontem 25 Sociedades Rurais do Paraná, representando toda a classe produtora rural do Estado, publicaram carta-aberta à Nação manifestando preocupação ante esta situação de insegurança.
A inquietação dos produtores rurais é procedente, porque são conhecidos os métodos das lideranças do MST, que não fazem distinção ao induzir seus séquitos a avançar sobre a propriedade, improdutiva ou produtiva. O resultado é, no mais dos casos, a destruição das instalações, sem solução para o problema social representado pelas famílias que formam as fileiras do movimento, muitas delas realmente egressas de atividades anteriores no campo, mas tantas outras não, porque formando contingentes de miseráveis das áreas urbanas. Se o mal não está sobre toda essa gente humilde que engrossa a legião dos excluídos, ele reside nos chefes oportunistas, que manipulam somas fabulosas de dinheiro para alimentar esse tipo de agitação social.
A ausência de critérios e de propósitos sérios por parte do MST está manifesta, porque esse movimento ataca o mais importante e estratégico setor da cadeia produtiva, que emprega famílias igualmente necessitadas e fornece o alimento para as populações urbanas, ademais robustecendo a pauta de exportação e trazendo divisas ao País. Se pecado existe, este é um deles, porque agricultores, pecuaristas e toda a massa de trabalhadores agregados ao campo não são delinquentes. Com razão as Sociedades Rurais reclamam, em seu manifesto, que os poderes públicos garantam segurança à atividade rural, ademais porque é, hoje, a que mais emprega. São infindáveis e
irrefutáveis a não ser pelos insanos as razões para dar proteção ao produtor rural, porque se ele esmorecer, pela insegurança e pelo terrorismo que o ronda, as populações urbanas serão as primeiras a sofrer as consequências, porque tudo poderá faltar menos o alimento, e este não é produzido nas fábricas.
No caso do Paraná, como ressalta a carta-aberta, não são apenas as invasões, mas também a demora para a reintegração da posse, mesmo após decisão judicial. Pelas próprias características da terra e pela presença, no Estado, de uma vocação empresarial para a agricultura e a pecuária, em todas as suas variáveis incluindo a agricultura familiar e as culturas alternativas favorecidas também pela crescente expansão da agro-indústria, são poucas as propriedades rurais no Paraná que estejam sem uso, ou improdutivas. Não é aqui, pois, o lugar para invasões. Não há condição de conviver com a constante ameaça sobre gente que está trabalhando e produzindo e que faz deste Estado, hoje, um dos maiores em produção agropecuária. A agitação social patrocinada pelo MST e seu influente líder visa justamente acabar com essa gente. O brado dos produtores rurais precisa ser escutado e atendido, porque se houver paz no campo, haverá ordem e progresso em todo o país; ou, ao contrário, o caos.

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