Torna-se insustentável determinada situação quando nítida a leitura de que as autoridades responsáveis por solucioná-la perde o controle. O início do segundo semestre de 2003, primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acena para um futuro de tensões e incertezas. O conflito agrário, de norte a sul, leste a oeste, infelizmente coloca o País na beira de um barril de pólvora. Previsões pessimistas poderiam ser abolidas, mas nunca omitidas. Então, o que se espera é um quadro de mobilizações dos mais variados segmentos da sociedade, e não somento dos sem-terra, em que aqueles com melhor poder de pressão abocanharão as maiores fatias de um bolo difícil de ser repartido, eis que ele existe para poucos.
O encontro do presidente Lula da Silva com coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante a semana, mostrou um pouco o que vai ser o Brasil de agora em diante. O governo federal teve, além do período de transição, os seis primeiros meses do ano para, ao menos, dar uma cara ao País. Mas a falta de políticas arrojadas, capazes de equacionar alguns dos problemas emergenciais, deu a Luiz Inácio Lula da Silva e seus assessores diretos a característica de um governo de programas assistencialistas.
Assim foram algumas das primeiras ações da equipe. Como a extensão do programa de benefício aos estudantes carentes, antes limitado ao ensino fundamental, também para o ensino médio; o seguro agrícola para os pequenos; o próprio Fome Zero, que embora pretenda sair da linha dos benefícios funciona até o momento desta forma, e o próprio Primeiro Emprego, que não soluciona a questão do desemprego, apenas cria uma possibilidade para parte da força de trabalho sem ocupação do País.
Lula, ao contrário daquele a quem substituiu, tem em suas palavras e em seus posicionamentos o perfil de um presidente que quer realmente dar um rumo ao Brasil. A fala simples e direta do homem público que, antes de ser sindicalista, foi operário de fábrica, deixa evidente que o que promete não ~e bravata, conforme termo que ele próprio utiliza. Mas sozinho, pouco conseguirá, pois precisa de assessores mais do que confiáveis. Lula precisa, sim, de uma equipe de primeiro escalão capacitada, formada por técnicos bem intencionados.
Se a promessa de mudança não se realiza, então agora, seis meses após iniciada a gestão, é hora de promover a primeira mudança para puxar outras, mais complicadas e necessárias: trocar as peças do governo que não funcionam.

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