OPINIÃO DA FOLHA - Mais vendas com 13º salário
O desenvolvimento se estriba em três premissas fundamentais: produção, distribuição e consumo. E o consumo não se opera sem o poder de compra da moeda. Se não há moeda, retrocede-se ao sistema do comércio de trocas, impraticável em nossos dias. Mas não basta haver estoque de moeda se ela não entra no meio circulante. É o que ocorre no Brasil, onde a política contencionista do governo estancou o giro do dinheiro, que ficou em mãos de poucos e portanto sem o poder multiplicador que teria se fosse passando pelas mãos de todos.
Ontem, falando a este jornal, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina mostrou-se otimista com a perspectiva de vendas para este fim-de-ano, que ele estima sejam 20% superiores as do mesmo período do ano passado. Porque, segundo diz, houve crescimento de 9,55% do salário-base pago na cidade e porque entra em circulação o dinheiro do 13º salário. Não fosse importante a dinâmica da circulação da moeda e não se aguardaria com tanta ansiedade esse dinheiro extra, porque ele é imediatamente gasto, em forma de compras, de pagamento de contas, para uma viagem de férias, e na continuidade vai fazendo todo o seu giro e multiplicando o seu poder de ação.
Vigorou, durante todo o período do governo federal prestes a encerrar-se, a mentalidade de que dinheiro em poder das pessoas resultaria em inflação, pela maior intensificação do giro, então implantou-se a política de segurar a moeda, impondo um preço alto para obtê-la nos bancos. O resultado foi desastroso, com o endividamento e a corrosão pelos juros, inadimplências, fechamento de empresas, a retração da economia, o desemprego e os inevitáveis atentados contra o patrimônio alheio, porque há 10 milhões de desempregados e 40 milhões de indigentes.
A equipe econômica do governo, e mesmo economistas mais ortodoxos, parecem não compreender a importância dessa dinâmica a de produzir, distribuir e consumir. Qualquer das três vertentes que for estancada resultará em prejuízo das demais. No Brasil, foram desestimuladas, ao mesmo tempo, as três coisas que são interdependentes por conta da obsessiva política de controle inflacionário, levada aos extremos, a ponto de matar o paciente com o próprio medicamento ao invés de curá-lo.
Em fim de ano, quando é pago o 13º salário, ninguém pensa que esse dinheiro novo em mãos do consumidor irá gerar inflação, e de fato não gera embora a grande corrida às compras. Em países desenvolvidos, onde o poder de consumo é alto e por indução também a produção, eis que uma coisa puxa a outra há empresas que pagam até 18º salário e nem por isso essas nações correm risco; antes o contrário, mantém-se prósperas e estáveis economicamente e com elevado padrão de vida.





