Entidades representativas da indústria agropecuária nacional devem se reunir hoje, em São Paulo, para tentar mais uma vez conter a voracidade do governo federal em mexer no bolso dos contribuintes. Associações brasileiras de Agribusiness, da Indústria de Trigo, de Óleos Vegetais, da Alimentação e de Cítricos, entre outros, juntam-se em uma iniciativa isolada, uma vez que outros segmentos que também podem sofrer prejuízos, como a representada pela Confederação Nacional da Agricultura, ainda permanecem calados.
A pauta deste encontro é a Medida Provisória de número 66 que, de acordo com as entidades participantes do evento de hoje, contém uma minirreforma tributária nociva para o setor rural, com os estragos atingindo do campo à transformação. Um dos pontos polêmicos da Medida Provisória, conforme alerta feito pela direção da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, é o fim do regime especial de recolhimento do Imposto de Renda do agricultor. Isso significa que o homem do campo passará a pagar mais imposto, então se estranhar a ausência dos sindicatos e associações rurais, através das federações e confederações, num debate tão importante.
A Medida Provisória determina que o produtor rural seja tributado na fonte, com base na tabela progressiva do Imposto de Renda, cuja alíquota chega a até 27,5%, no momento de venda da produção para as agroindústrias, o que para o setor de transformação, não passa de uma forma do fisco interferir diretamente no relacionamento comercial entre a indústria e o produtor. Isso, do ponto de vista do governo, conforme entende o segmento industrial, evitaria a evasão de receita, uma vez que é muito mais fácil fiscalizar as empresas de agribusiness do que o homem do campo.
Caso seja aprovada a Medida Provisória, seus efeitos atingirão não somente os componentes da cadeia produtiva. O aumento da carga tributária da indústria, prevendo-se que o produtor rural terá como repassar seu custo para o agribusiness, será fatalmente assumido pelo consumidor brasileiro. Este que já carrega o fardo dos aumentos dos combustíveis e de reajustes infindáveis nas compras semanais chegará ao ponto de esgotamento, tendo a fome do leão como responsável pelos prejuízos que todos sofrerão.

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