OPINIÃO DA FOLHA - Má gestão pública
A falta de profissionalização da gestão pública emperra o desenvolvimento do País. Estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que a qualidade da administração pouco avançou em um ano. Os resultados são "velhos conhecidos" da maioria da população: baixos investimentos em obras de infraestrutura e gastos acima do recomendado em funcionalismo.
Em 2011 (último ano pesquisado) apenas 84 municípios brasileiros o que corresponde a 1,63% do total alcançou nível de excelência na administração das finanças, enquanto 21% estão em "nível crítico". Além disso, oito em cada dez cidades geram menos de 20% do total de suas receitas, o que enfatiza a dependência do Estado e da União. As desigualdades regionais também são claramente identificadas por meio desse indicador. A Região Nordeste, por exemplo, concentra 72,2% dos 500 piores resultados, enquanto Sul e Sudeste têm 80% dos 500 municípios melhor avaliados. O indicador evidencia a baixa qualidade técnica dos atuais administradores públicos. É certo que muitos municípios têm carências históricas, mas esse mau resultado apontado pela pesquisa evidencia a falta de planejamento das administrações e o descompromisso com a melhoria de vida da população. Muitos prefeitos ainda são adeptos do clientelismo, optam por inchar a máquina pública com correlegionários e apadrinhados, ao invés de nomear profissionais capacitados. Desta forma, mantém-se o eleitorado fiel em detrimento do desenvolvimento da comunidade como um todo.
Outro ponto ainda muito relevante é a prática da corrupção. Muitos governantes pensam em assumir cargos públicos como forma de garantir o seu enriquecimento. É um mal que assola as gestões públicas, principalmente pela falta de punição. A população, ao escolher mal seus governantes e se afastar da vida púbica, também é responsável por esse cenário. É preciso que todos assumam a sua
parcela de culpa e que se tornem mais conscientes em relação ao voto. A falta de participação, fiscalização e cobrança já produziu efeitos devastadores e não pode continuar.





