OPINIÃO DA FOLHA - Londrina e o esporte, aos 70 anos
Não fosse atividade relevante, o esporte não teria tanta aceitação popular, não mobilizaria fortunas e não ocuparia tanto espaço nos veículos de comunicação. Em Londrina não é diferente, e neste ano em que a cidade comemora com vários eventos festivos o seu septuagésimo aniversário, o futebol local não tem nada a comemorar, e o basquete segundo em atração na cidade sofre derrotas não esperadas e pode, neste 2004, não dar sua contribuição para celebrações.
No caso do Londrina Esporte Clube, o torcedor já está amortecido pelo desencanto, depois de tanto ler nos títulos dos jornais, ano após ano, a mesma sentença: ''O Londrina está desclassificado''. Este estigma veio marcando o time de futebol, que tem o nome da cidade e quase meio século de existência. Nesse longo período, e sediado numa região de tamanha importância política e econômica, o Londrina só foi três vezes campeão do Paraná e uma vez campeão nacional, ao conquistar a Taça de Prata (1980), segunda divisão do futebol nacional quase trinta anos atrás.
A comemoração dos 70 anos desta metrópole, e mais uma desclassificação do time do Campeonato Paranaense, ocorrida domingo último, merecem reflexão dos torcedores, dirigentes e tantos quantos se interessam e devem se interessar pela imagem e projeção de Londrina, em todos os setores em que tem condições de destacar-se. Muita coisa cresceu e desenvolveu-se aqui no correr destes poucos setenta anos, a ponto de converter este formidável acontecimento que se chama Londrina na segunda maior cidade do Estado, na terceira do Sul do País e figurando entre os 25 maiores núcleos urbanos do Brasil, superando algumas capitais. Só o futebol não avançou.
E assim o Tubarão de águas mansas e dentes pouco afiados, a ponto de não mais atemorizar, não melhora sua triste condição por não ter credibilidade. Londrina ostenta a fleugma de sua origem britânica, por ter sido colonizada pelos ingleses que implantaram aqui seu ousado e vitorioso projeto e terem sido também eles os inventores do futebol moderno mas perdeu o brio ao entrar em campo. E o basquete, embora várias vezes campeão do Paraná, comete erros semelhantes ao futebol em sua disputa pelo Campeonato Nacional, deixando vitórias escaparem no final de jogos, o que é uma triste marca registrada do Londrina Esporte Clube, já especializado nessa prática.
Difícil identificar onde reside a solução, mas é certo que o esporte não deve depender de dinheiro público e nem de campanhas beneficentes a não ser os apoios logísticos mas assumir postura empresarial e caminhar pelas próprias pernas, como tudo da iniciativa privada que deu certo em Londrina, naturalmente sem desprezo das instituições públicas. Os caminhos são muitos para emancipar esta cidade também no esporte embora suas conquistas em modalidades como GR, beisebol, natação, tae-kwon-do mas é certo que a Londrina já amadurecida pelos 70 anos de vida deve abraçar a causa de seu esporte maior o futebol e fazê-lo grande quanto a cidade e o nome que ostenta.





