Se analistas do mercado financeiro internacional consideram correta a decisão do Comitê de Política Monetária de elevar o juro básico de 21% para 22%, o certo é que a alta da taxa tornará o crédito interno mais caro, desestimulando o consumo. Se as empresas dependentes das financeiras para suas operações de venda a prazo repassarem esse custo para o consumidor, poderão fazê-lo recuar no propósito de um maior volume de compras, e isso fatalmente ocorrerá, até por condicionamento psicológico. Ao invés de uma expansão de vendas, neste período de recebimento do 13º salário e das compras adicionais de fim-de-ano, a freguesia ficará mais seletiva e optará por gastar menos, com prejuízo para o comércio e por extensão para toda a cadeia produtiva.
Há temores de que o aumento constante do juro básico o que faz do Brasil o país com os juros mais altos do mundo desemboque para uma recessão, sobretudo nos primeiros três meses do próximo ano, quando a atividade econômica brasileira já entra naturalmente em calmaria. A consequência será o acúmulo de estoques do comércio e da indústria e, na continuidade, o aumento da inadimplência e do desemprego, justamente no alvorecer de um novo governo, que chega rodeado de grande esperança popular. Outra herança pesada ao governo que estréia em janeiro é que, com a alta da taxa básica de 18% em meados de outubro para 21% e agora para 22%, aumenta substancialmente o custo da dívida governamental interna, e isso gerará desconfiança do investidor estrangeiro quanto à capacidade brasileira de impedir que a situação chegasse aonde chegou.
Tentar impedir uma suposta elevação inflacionária à custa de um remédio tão amargo e ainda assim sem garantia de cura pode se tornar um fardo pesado demais para o governo e, naturalmente, para a nação inteira. Se analistas internacionais consideram que, em face da situação, a medida de elevação do juro é acertada, eles mesmos assinalam para o perigo que o aumento do serviço da dívida representa para o governo, e declaram esperar que essa alta seja a última no contexto da situação atual, deixando entender que chegou ao limite sustentável. Quando se torna necessária a receita de um remédio forte demais, isso significa estado grave do paciente, e é assim que se encontra o Brasil governado por Fernando Henrique Cardoso e sua equipe econômica, atestando que a manutenção da teimosia política adotada sempre foi um equívoco. Porque, decorridos oito anos, o governo chega à melancólica circunstância de ter de aumentar em quatro pontos o juro básico em apenas um mês, semeando sobressaltos e comprometendo a governabilidade futura.

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