OPINIÃO DA FOLHA - Irregularidades no poder público
Não há um dia em que os jornais independentes do Paraná não denunciam algum caso de irregularidade nas administrações públicas do Estado, seja na esfera do Executivo ou do Legislativo estaduais, nos organismos policiais, nas prefeituras, nas câmaras municipais. Onde está a presença oficial, aí caminham paralelas a infringência de normas e a corrupção. Ontem a notícia foi que o Tribunal de Contas do Paraná (TCE) condenou o secretário de Assuntos Estratégicos, Alex Beltrão, a devolver aos cofres públicos R$ 770 mil, resultantes de operação irregular em licitação. O caso envolve a Secretaria e o Centro de Integração de Tecnologia do Paraná, e a denúncia é que não houve concorrência na escolha de uma empresa prestadora de serviços.
Se é lamentável esse estado de coisas, tanto pior é constatar que os valores dessas operações nunca são recuperados. Soa então como pilhéria sobre os cidadãos o ato de condenação do Tribunal, que age dentro da lei e cumpre a sua parte mas tudo isso tem sabor de ficção, qual novela de TV, porque da sentença à execução vão-se muitos capítulos e a história termina sem a conclusão do episódio. Transforma-se em fantasia, pela falta de um desfecho real.
Já no ano passado o mesmo secretário foi condenado pelo TCE em irregularidade nas contas do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, quando ele era titular de outra Pasta, mas tudo parece ter ficado por isso mesmo. Não deve ser outro o destino deste novo processo. Diante de tanto abuso nos negócios oficiais e de tanta impunidade, questiona-se a validade das instituições e sobretudo de organismos como o Tribunal de Contas e a Assembléis Legislativa esta um poder não só legislador mas também fiscalizador e questiona-se a própria eficácia da Justiça.
São tantos os negócios irregulares denunciados que a opinião pública nem consegue lembrar-se dos anteriores, e os próprios veículos de comunicação já nem têm espaço para dar continuidade a todos os casos, pelo acúmulo. Não por isso a imprensa combativa e persistente abandonará a sua missão denunciadora, mas a própria divulgação dos escândalos vai se convertendo em algo banal e desgastante e vê-se que é desigual essa luta, porque os desmandos e a impunidade correm livres na dianteira, sem obstruções pela frente.





