O governo Requião herda mais uma dívida de proporção elevada da administração anterior, no valor de R$ 250,3 milhões. De acordo com a Secretaria da Fazenda, são despesas que foram empenhadas mas não foram pagas na gestão de Jaime Lerner, e referem-se ao período entre 1996 e 2002. A maior fatia, de R$ 227,6 milhões, refere-se a despesas com prestação de serviços, obras públicas e aquisição de materiais, tudo no ano de 2002.
O restante é do período de 1996 a 2001, de restos a pagar. O levantamento que levou a este resultado apurou situações que tornam o quadro das dívidas herdadas ainda mais grave: R$ 10,9 milhões em despesas realizadas entre 1997 e 2002 nem foram empenhadas; e R$ 63 milhões em parcelas vencidas da dívida pública consolidada foram deixadas para o sucessor.
Somada a outras constatações, como a dos empréstimos concedidos a uma das empresas que se instalaram no Paraná durante a gestão de Jaime Lerner cujo custo do financiamento só não foi melhor do que o negociado entre pai e filho, porque em alguns casos a relação familiar faz com que o valor fraternal se releve ao monetário , o que se percebe é que os gastos da gestão anterior com publicidade, para tentar mostrar um balanço positivo das finanças públicas do Estado, foram realizados com objetivos questionáveis. O que se levou ao paranaense omitiu o que a gestão atual descobre nesse início de governo sobre o que de fato foi deixado.
A Secretaria da Fazenda anuncia que estudará a possibilidade de responsabilizar a administração anterior, pois especificamente sobre a dívida de R$ 250,3 milhões pode ter havido desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), na qual o governo em final de mandato não pode contrair dívida nos dois últimos quadrimestres de gestão, a não ser que possa pagá-la antes de transmitir o cargo, e também impede que parcelas sejam deixadas para o sucessor quando não há disponibilidade de caixa.
Não é somente o desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, entretanto, que deve ser considerado neste momento. Claro, medidas legais são necessárias e urgentes para se tirar a limpo esta situação e punir os culpados. Mas houve, sobretudo, um desprezo à capacidade do paranaense de se inteirar das verdades e julgar o que foi feito de errado. Menosprezou-se inclusive que o processo democrático prevê outras eleições, e que se não for o próprio governador, alguém de sua equipe poderá tentar um cargo político no futuro. E os tempos mudaram. Os eleitores estão mais conscientes e analisam o histórico dos que se lançam candidatos. Tanto quanto as medidas legais, este julgamento político terá que pesar no momento certo.

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