Não existe iminência de recessão econômica no Brasil, simplesmente porque ela já está instalada, faz bom tempo, por conta das desacertadas políticas públicas. O que ocorre é que as consequências começam a se manifestar cada vez mais claramente, um resultado que já era esperado e que só a equipe econômica encastelada em Brasília nunca percebeu. A contenção da circulação da moeda, por via de um regime de juros altíssimo adotado para frear o consumo, sob o pretexto de, assim, manter baixa a inflação, não resultaria em outra coisa senão na diminuição da atividade produtiva, com o consequente desemprego, gerador da miséria social.
O segredo do desenvolvimento reside na circulação da moeda, e se ela fica estagnada, tudo pára. Como se explica que, ao longo da história, houve períodos de crescimento e euforia nacional se o volume do dinheiro circulante foi sempre o mesmo, salvo pequenas variações? Pela razão simples de que houve épocas em que o dinheiro circulou mais, e em outras menos. A política do atual governo sempre foi a de dificultar o giro do dinheiro, o que é o mais suicida dos regimes.
A economia estável que o sistema oficial sempre apregoou é, pois, uma falácia, pois vê-se agora que nada é sólido, pelo fato de que o governo afastou projetos desenvolvimentistas e ateve-se ao mercado financeiro, que por si só tem vida curta. O Brasil-cidadão vem se salvando como pode, mas enfrenta a ditadura de uma política monetária oficial rígida e intransigente, que mantém cativa a moeda e sem dinheiro circulando de mão em mão não há salvação.
Quando, nos Estados Unidos, aconteceu o trágico atentado do último setembro, uma das primeiras providências do presidente George Bush foi zelar para que os cidadãos não ficassem sem dinheiro, e imediatamente adotou uma bateria de medidas nesse sentido. Aqui, o procedimento tem sido inverso, com o governo tudo fazendo para evitar dinheiro em poder do povo. Mas será um erro também dos cidadãos abster-se de comprar em tempo de dificuldade. Guardar as já poucas economias em aplicação financeira, num momento destes, será agravar a situação. Há que comprar, fugindo do crediário, porque o negócio da venda a prazo contaminou também o comerciante inescrupuloso, interessado igualmente na especulação financeira. Há que dar asas ao dinheiro, ou a recessão ficará ainda mais aguda.

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