OPINIÃO DA FOLHA - Feriado e fim do preconceito
Nunca a instituição de um feriado foi tão discutido pela sociedade como o da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro. Embora opiniões favoráveis e contrárias sempre tenham se manifestado, o assunto ganhou fôlego depois que o Tribunal de Justiça suspendeu o feriado em Curitiba. Em Londrina, a Associação Comercial e Industrial já havia obtido o "direito de funcionamento" na data sem o pagamento de horas extras aos trabalhadores e livre de multas impostas pelo Executivo. A partir daí, o assunto ganhou as ruas e vários sindicatos ligados à classe patronal recorreram à Justiça em busca do mesmo direito.
Os negros foram muito marginalizados ao longo da história do Brasil. Séculos depois da abolição da escravidão, infelizmente ainda persistem em parte da população atos de racismo e discriminação contra os afrodescendentes. No entanto, a discussão não deve se ater simplesmente ao preconceito quando se trata de manutenção ou suspensão de um feriado a favor da raça e do movimento negro. Em um mês que já conta dois feriados nacionais, paralisar toda a atividade produtiva será o caminho? Sabe-se que o Brasil é um dos países que mais contam com feriados em seu calendário. Ao todo são 11 datas nacionais ao longo do ano, sem incluir as de determinações municipais. Será mesmo necessário guardar mais um dia? Importante salientar que a história do país deve ser preservada e valorizada, mas atos cívicos e de conscientização junto à população talvez contribuíssem mais efetivamente para o fim do racismo como um todo.
O fim do preconceito e não só contra negros e descendentes deve ser uma luta diária. Uma sociedade justa e igualitária será construída somente a partir do fim dessas práticas. A Constituição Federal já garante a igualdade de todos perante a lei e é preciso reforçar o cumprimento desse direito.





