Não é novidade que amigos políticos de outrora podem ser adversários hoje, ocorrendo também de ferrenhos inimigos tornarem-se partidários e passarem a defender idéias em que eram antagônicos. Nada condenável no fato de inimigos restabelecerem as pazes e partilharem anseios comuns, porque este é um ideal de salutar convivência e um atributo da cidadania, mas o que ocorre é um frequente oportunismo de conveniência, que nada tem de ético e civilizado. Ao invés de se aterem ao campo das idéias, os candidatos preferem a tática dos ataques pessoais entre si, e isso é ainda mais abominável quando envolve políticos que outrora tiveram ideais idênticos e fizeram crer ao povo que eram sinceros. Como essa prática é um vai e vem contínuo, o eleitor mais e mais se decepciona com a comunidade política.
Mais grave é quando políticos comprovadamente corruptos retornam à cena como alavancas úteis para candidatos que, em verdadeiro desespero para eleger-se e chegar ao poder, perdem totalmente o decoro e entram nesse vale tudo, aceitando tais apoios sem o mínimo pudor e sem a menor demonstração de vergonha. Esses corpos aparentemente estranhos passam então a ser iguais, eis que se identificam, significando que também eram iguais antes, quando se combatiam entre si, e não em defesa de alguma causa mas porque na ocasião convinha aos seus propósitos eleitorais.
Vemos isto repetir-se agora. Não a sadia disputa que coloca, pleiteando o mesmo cargo, aliados de outrora, mas as pesadas acusações pessoais que fazem entre si. Isso é fácil e não exige escolaridade. O difícil é o confronto no universo das idéias, este sim fecundo e esclarecedor e certamente despertando o interesse do povo sobre as propostas de cada candidato. Mas, quanto a isso, o nível de todos eles é baixo e os faz imaginar que o eleitor irá decidir entre o que melhor agride e mais defeitos aponta no adversário. Subestimam a integridade dos cidadãos, que, pela obrigatoriedade de votar, ainda têm o discernimento de manifestar a sua cidadania votando no menos pior, porque conscientes de que o voto nulo poderá favorecer os menos merecedores. A falta de coerência, de ética e de decoro dos candidatos na campanha é o mesmo comportamento que irão ter se investidos do poder.

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