Outrora capital do café, presentemente capital do agronegócio e da prestação de serviços de várias naturezas, Londrina é, há três décadas, também capital cultural, destacadamente por dois grandes eventos que promove anualmente: o festival de teatro e o festival de música. O primeiro, denominado Festival Internacional de Londrina o Filo foi convertido em festival de todas as artes cênicas e começa hoje, povoando de artistas de doze países a cidade e os palcos, durante 23 dias de espetáculos. As cortinas do Teatro Ouro Verde se abrem esta noite para a abertura solene e a apresentação de estréia, com a presença de autoridades representando o Ministério da Cultura e os governos estadual e municipal, assim como de todo o universo de ativistas culturais que há 37 anos revezam-se nessa promoção. Destaque especial, entre os presentes, para Nitis Jacon, criadora e coordenadora desse festival durante muitos anos e do qual pelo mérito de ser a perene sustentadora desse ideal é agora presidente de honra.
O evento, que com sacrifícios sem conta e a dedicação de um punhado de idealistas, vem se realizando por tanto tempo e sempre revestido de sucesso, veio em processo de expansão e hoje se insere também como atividade sóciocultural, pois se estende aos espaços públicos, incluindo os da periferia e até presídios. Assim, foi conquistando admiradores e parceiros e, no dizer do vice-reitor da UEL, Eduardo Di Mauro, é uma marca registrada de Londrina. O secretário municipal de Cultura, Bernardo Pellegrini, o define como 'um formulador de políticas culturais para a cidade, um formador de platéias e de aperfeiçoamento e qualificação de artistas'. O festival tem na retaguarda a Associação dos Amigos da Educação e Cultura do Norte do Paraná e a Universidade Estadual de Londrina, com forte patrocínio da Prefeitura de Londrina e do Governo do Estado, além de incentivos da Lei Rouanet e do Fundo Nacional de Cultura, entre outros organismos e instituições. O festival de 2004 é dedicado aos 70 anos da emancipação de Londrina a categoria de município, e todo o material de divulgação faz referência a essa celebração.
O acontecimento cultural representado por esse festival de todas as artes engrandece esta metrópole outrora vinculada apenas a ações e eventos ligados à atividade agrícola. Hoje, em seu 37º ano de existência, é reconhecido internacionalmente e, pela sua qualidade, foi capaz de deslocar as artes cênicas da polarização do eixo Rio-São Paulo. Tem o condão de formar e aperfeiçoar atores, atrizes e conceitos, pela troca de idéias e experiências, e sobretudo irradiar cultura e proporcionar ao público a magia do teatro e de todo gênero de artes cênicas, como a dança, o circo, estendendo-se para a música, a literatura, a fotografia, as artes plásticas, a arte-educação e inclusive projetos de gastronomia. Este período de movimento teatral e de tantos eventos vinculados ao festival é um momento rico e fecundo que sublima as artes cênicas e consagra Londrina, também, como pólo cultural de relevância.

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