A Londrina de 70 anos tem duas marcas distintas: a da cidade que cresce e se moderniza, pelo empreendedorismo da iniciativa particular, e a que apresenta deterioração pela negligência do poder público ou escassez de recursos oficiais para atender às incumbências que lhe compete. De um lado, o avanço da construção civil, que faz lançamentos regulares, significando que encontra compradores, e de outro a falta de moradia para famílias de baixa renda, que invadem fundos de vales e constroem seus barracos, como este jornal mostrou ontem. O comércio se expande, com gigantes lojas se instalando e outras ampliando e revitalizando suas instalações, mas paralelamente a administração pública não consegue fazer face à demanda social. Diariamente lêem-se notícias de que há deficiências nas escolas – estaduais e municipais – e ontem reportagem da Folha mostrou que áreas de lazer e de esportes, nos bairros periféricos, estão deterioradas.
  Também no centro a dificuldade de preservar praças e outros locais públicos, ou o pouco empenho, estão bem visíveis, como a Praça Floriano Peixoto, de onde há vários meses foram retirados os quiosques e artesãos, mas desde então o local não foi recuperado. Esse lugar, indicado por pioneiros para denominar-se Praça dos Ingleses – por causa do traçado antigo em forma da bandeira britânica – é um dos primeiros logradouros públicos de Londrina e por onde transita o maior número de pessoas, porém, mais parece terra arrasada, onde tudo é feio e malcuidado: pavimentação, bancos, o jardim e o sujo sanitário que ali existe. O mesmo se diz das duas praças do Bosque, onde árvores centenárias mostram como era a mata nos tempos não muitos distantes da colonização, mas também ali tudo é desolador: um idêntico sanitário de aspecto e cheiro imundos, que nada tem de sanidade, um parque de diversões não recomendável para criança alguma, e uma quadra de esportes indigna de um local de tanta riqueza natural, que são as velhas árvores.
  Estas são apenas as primeiras páginas de amostragem de um vasto glossário de abandonos, porque há um problema muitíssimo mais grave, que é o dos assentamentos e da miséria social da periferia, que parecem indicar impossibilidade de arranjo, face a tanta desolação. Já nem se sabe até onde culpar o poder público, porque para tudo há o argumento da falta do recurso financeiro. Certo é que não se nada em dinheiro, mas a administração municipal, aí incluída também a Câmara de Vereadores, assim como os demais poderes, as lideranças comunitárias e a sociedade como um todo, precisam mobilizar-se na busca de soluções – e cabe ao chefe do Executivo, pela sua representatividade, a incumbência dessa mobilização. O que não pode é o nada fazer e o nada acontecer.

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