Melhor do que o governo destinar R$ 10 bilhões para financiar projetos industriais, como acaba de anunciar, é diminuir a carga tributária. Certamente o setor consideraria muito mais conveniente essa redução, que lhe traria mais benefícios do que assumir compromissos com financiamentos. Entre lançar no sistema industrial esse volume de dinheiro ou deixar de recolher a mesma quantia em impostos, muito melhor para a economia a segunda opção, de efeito mais rápido e resultando numa operação financeira quase idêntica para o governo. Se financiamentos obrigam ao retorno do empréstimo, e naturalmente com juros, e a redução de impostos representa, em princípio, dinheiro a menos na receita do Tesouro, tal não é uma leitura que se deve fazer assim simploriamente. Porque recursos de capital que ficam em poder da empresa pela queda do arrocho tributário irá gerar desenvolvimento e receita tributária indireta, que acabará por beneficiar, da mesma forma, também o erário.

Esta é uma contabilidade que o governo não considera, mas é elementar que o crescimento econômico, pela via de menos impostos, irá engordar na continuidade os próprios cofres públicos, pelo desenvolvimento gerado. Uma sabedoria dos países desenvolvidos. No Brasil, ao contrário, a visão governamental volta-se para o aumento da receita e com voracidade sem igual, porque este país está entre os que esfolam o contribuinte com a mais alta taxa de impostos do mundo. Ademais, teme-se que esses R$ 10 bilhões agora anunciados acabem em mãos de poucos, geralmente grandes grupos econômicos, sem gerar o desenvolvimento que seria de esperar, considerando-se essa elevada soma de capital.

O desenvolvimento do setor industrial, como acena o governo ao anunciar este novo pacote que não significará a liberação imediata mas gradativa daquele montante tem a rubrica de gerar empregos e incrementar o poder de compra dos cidadãos. Então, melhor faria o governo se diminuísse substancialmente os encargos sobre a folha salarial dos trabalhadores e assim a empresa se aliviaria e se estimularia a contratar mais, um procedimento natural e consequente.

A sangria tributária é, sabidamente, um dos entraves para o crescimento empresarial, e é por via do sistema produtivo que a economia respira. Inserido entre os absurdos está também o Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT, que tira dinheiro do meio circulante e não ampara o trabalhador, mas acaba em concentração de renda na mão de grandes empresas, via BNDES, sem gerar dividendos sociais correspondentes. Assim, o governo do PT nada muda e faz o que vem sendo feito, o de um Robin Hood em contrário o que nem é do seu ideário.

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