OPINIÃO DA FOLHA - Diminuir gasto e usar inteligência
Quando a economia vai mal, também os cofres públicos ficam menos recheados, a servir de advertência ante à sábia lição de que mais desenvolvimento gera mais receita tributária, e assim todos ganham, e que tributação em excesso promove exatamente o efeito contrário: a queda do desenvolvimento, pela retirada da moeda do meio circulante e a concentração de renda, e assim a roda passa a girar em contrário. Uma de suas desastradas consequências, como agora ocorre, é que o baixo crescimento econômico do País provoca também a diminuição do repasse de verbas federais para Estados e municípios.
Londrina, como este jornal noticiou ontem, sofreu neste trimestre do ano uma queda de até 7% em sua receita originada dessa fonte, e as consequências já são anunciadas pelo prefeito: a possibilidade de corte de investimentos, neste que é o último ano de seu mandato. Se não há aceno de que ocorram grandes avanços na política econômica oficial, que signifiquem incentivo para investimentos, a perspectiva é de que a queda da arrecadação vá continuar. E se as coisas já não iam bem, poderão ficar 7% piores.
Os mais atingidos são os municípios, carentes por natureza e em alguns casos por incompetência gerencial e descontrole de gastos, porém os responsáveis pelo enfrentamento direto dos problemas sociais, porque o brado dos reclamos populares é sentido muito próximo. A população dos pequenos municípios que são a grande maioria praticamente convive o dia-a-dia rente à figura do governante municipal.
O prefeito de Londrina já anuncia cautela nos gastos municipais, e esta é uma medida providencial, que deve ser adotada por todos os seus colegas, levando a sugerir que também as Câmaras de Vereadores se contentem com gastos menores mesmo que haja verbas em seus orçamentos. A liberdade para gastar, só porque o regimento permite, não significa que seja necessário promover a farra.
É em momentos como este que se testa o espírito patriótico e a competência dos administradores públicos, porque nem toda obra exige tanto dinheiro e sim, muito mais, a inteligência e a boa vontade política para realizá-la, significando saber operar nas adversidades. Certo é que, embora as carências e os pesados encargos, os poderes públicos municipais são maus gerenciadores do dinheiro já escasso, então a hora é de cortar gorduras e buscar fórmulas inteligentes de executar os mesmos projetos tendo 7% a menos de recursos. Menor receita não deve ser motivo para justificar eventual inoperância.





