Um Estado ou país só chega ao pleno desenvolvimento econômico quando todas as regiões recebem investimentos igualitários. E essa desigualdade no aporte de recursos, principalmente via incentivos governamentais, é um dos fatores responsáveis pelos passivos sociais nos municípios que menos atenção recebem.
Reportagem da FOLHA ontem mostrou que as mesorregiões de Curitiba e Ponta Grossa concentram 92% dos projetos do programa Paraná Competitivo, uma das principais bandeiras do governo Beto Richa (PSDB) para atrair empreendimentos privados aos municípios. Levantamento feito pela reportagem aponta que a mesorregião Centro Oriental, onde estão Ponta Grossa e Ortigueira, concentra mais da metade do total de investimentos feitos no Estado (58,6%) e ocupa a liderança do ranking com R$ 12,1 bilhões (58,6%); em seguida está a Região Metropolitana de Curitiba com R$ 6,9 bilhões (33%); o Norte Central (que concentra Londrina e Maringá) detém apenas 2,45% dos investimentos com R$ 507,7 milhões. Já o Norte Pioneiro é a única mesorregião sem projeto algum.
Londrina ainda amarga uma situação bem pior do que a de Maringá, como mostra reportagem de hoje. A Cidade Canção gera mais empregos em números absolutos, inclusive na indústria; registra uma arrecadação 14% maior de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços e somente neste ano Maringá já recolheu 50% mais Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do que Londrina.
As indústrias é que sustentam o desenvolvimento de uma região, por meio da geração de impostos e de empregos. Além disso, demandam mão de obra mais qualificada e, por isso, os salários são mais altos.
Se o enfraquecimento da economia londrinense é atribuído aos anos de má administração e às turbulências na prefeitura, com a cassação do mandato de dois prefeitos, as lideranças políticas e empresariais que representam a cidade tampouco "abraçaram" a causa. Londrina conta com representantes no primeiro escalão federal desde o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com inúmeros deputados federais e estaduais, senador, além de autoridades que representam as associações de classe também não está representada. Fica a impressão de que a notória falta de representação política é justificativa obrigatória – e comum – a todos.
Não seria também papel da Federação das Indústrias incentivar investimentos em todas as regiões a fim de estimular o crescimento igualitário? Cursos de capacitação são sempre bem-vindos porque ajudam a formar mão de obra, mas uma boa gestão pode se resumir a isso? Também falta uma cobrança da opinião pública a fim de exigir empenho maior das autoridades. Um assunto tão sério como esse, não pode se resumir a desculpas comuns. É preciso mais ação.

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