O volume de R$ 5 bilhões supostamente esvaziado dos cofres públicos em atos fraudulentos, cometidos por alguns membros de equipes de governo e políticos nos últimos anos, obviamente não seria o suficiente para zerar o rombo da Previdência Social. Mas daria para reduzir, embora muito timidamente, o tamanho do buraco aberto pelos desvios quase que seguidos que o sistema enfrentou. Ou, no mínimo, contribuiria para que o ralo por onde os recursos escapam irregularmente fosse protegido com um filtro mais funcional, uma vez que parte dos cinco bilhões refere-se à ilegalidades com dinheiro da própria Previdência.
Já no aspecto social, cinco bilhões dariam para muitos programas de apoio à comunidades carentes, desde que, ao contrário de paliativos, estes visassem à plena cidadania dos beneficiados, inclusive para que o público alvo não se eternize como dependente manipulável com possibilidade de votos nas eleições.
Ou para a educação, setor que gera reclamações constantes do titular da pasta, o ministro Cristovan Buarque, que na luta por mais recursos para a sua área até esquece a importância do cargo que ocupa e pede a estudantes secundaristas que façam caminhadas de protesto.
Como também para os programas destinados à formação profissional, estímulo aos pequenos negócios e muito mais, considerando, sempre, que há setores que nunca foram contemplados com orçamentos de bilhões, muito menos estes cinco que são objetos de investigação, conforme reportagem publicada na edição de domingo por este jornal. Em que se lê, inclusive, que parte dos processos referem-se à atual administração e, portanto, a corrupção não tem cor partidária: pode ocorrer na oposição de ontem que hoje virou situação, ou combatida hoje pela situação de ontem que atualmente é oposição.
Análise importante é a de que discursadores de ontem contra as supostas irregularidades do passado são atualmente engenhosos articuladores dos ilícitos de agora. E, na tentativa de acobertar seus atos, usam de meios que demonstram conhecer com particularidade: a pressão sobre quem sempre denunciou este tipo de coisa, qualquer que seja o partido ou a aliança instalada no poder. Em alguns casos, chegam a ser mais nocivos que seus adversários, pois por terem mais intimidade com aqueles que sempre foram combativos, na tentativa de prevalecer julgam-se no direito do uso de qualquer tipo de estratégia.
O Estado, há séculos, deve à população pela situação diversificada da cultura. E se não houver cobrança da população, esta dívida jamais será quitada. Pois do ponto de vista eleitoral, é conveniente que as coisas sejam assim e, amém.

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