Será uma imoralidade se, diminuindo o número de vereadores, o orçamento destinado às Câmaras Municipais continuar o mesmo, sob a argumentação, já levantada publicamente, de que a redução de cadeiras não significa menos recursos. É lamentável que vozes se pronunciem fazendo uma quase defesa disso, como deixa sugerir o vice-presidente da União dos Vereadores do Paraná, Paulo Salamuni (PT), argumentando que as verbas para as Câmaras não são definidas pelo número de vereadores mas pelo orçamento municipal.

Pois se não são, que passem a ser! Seria uma desavergonhada atitude manter os mesmos gastos orçamentários para um corpo legislativo, se ele diminui de tamanho. A prevalecer essa hipótese, de nada valerá a campanha moralizadora que ora se trava para reduzir a farra com o dinheiro público. Melhor é crer no que diz o promotor de Justiça de Londrina, Paulo Tavares, autor da ação civil pública que pedia a redução do número de vereadores, na Câmara local, de 21 para 15. Segundo ele, a economia é uma consequência natural.

Serão quase 9 mil vereadores a menos em todo o País, e é certo que haverá economia, e grande, mesmo que vozes inconformadas com o êxito da campanha de redução tentem semear dúvidas e imaginar que, apenas com palavras, possam recuar as Promotorias Públicas, os tribunais e a sociedade organizada. Só em Londrina cada um dos vereadores custa ao povo R$ 12 mil mensais. Indiscutível que, havendo redução de três vereadores, a lei de meios terá de ser adequada.

No Brasil não causa surpresa que, em momentos como este, ao invés de perfilarem na campanha que ora se promove para diminuição dos gastos públicos, os vereadores se posicionem tão declaradamente contra, defendendo primeiro o seu interesse pessoal e tudo fazendo para manter o status atual. Eles querem ser numerosos porque, com menos cadeiras, suas chances de reeleição diminuem e, naturalmente, não se importam em gastar.

Declarações como a do vereador Salamuni e a inarredável posição dos vereadores de manter o mesmo número de cadeiras, com todas os correspondentes benefícios, só contribuem para robustecer a unânime corrente da opinião pública contra a comunidade política. São escassas as palavras de sensatez de parte dos integrantes das Câmaras Municipais, com relação ao caso, mas sempre a busca de permanecer nos cargos e continuar com os desfrutes e o continuísmo dos gastos folgados, a mostrar como eles são lutadores quando a causa é própria.

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