OPINIÃO DA FOLHA - Brasil, potência mundial
As projeções feitas em documento das Nações Unidas divulgado esta semana, e que indicam que em 12 anos o Brasil será o maior produtor agrícola do mundo, superando os Estados Unidos, apenas confirmam dados que há algumas décadas vem sendo difundidas a respeito da peculiar e valiosa posição brasileira no quadro mundial. Com efeito, já pelos anos 1980, época em que o mundo ainda enfrentava as dificuldades provocadas pelos produtores de petróleo. que quadruplicaram os preços e causaram enormes problemas aos países dependentes da energia, alguns futurólogos se aventuravam a garantir que o Brasil reverteria a situação e iria se tornar uma potência mundial. E a base para tal previsão era, precisamente, o potencial agrícola do País.
Alguns entendidos chegaram a fazer, naquela época, uma curiosa previsão. Afirmavam que se o Brasil tivesse bons governos, acabaria por se tornar uma potência mundial em 25 anos, e que se tivesse administrações ruins chegaria a tal patamar em 50 anos. Esta interessante previsão tinha como base o potencial do Brasil, um país que sempre teve as condições para atingir o patamar mais elevado entre as nações do mundo. População e território representam fatores vitais a garantir a possibilidade de tal ascenção.
O que faltou ao Brasil, ao longo dos tempos, foi a aceitação de sua vocação agrícola. Por muito tempo, o campo foi posto em plano secundário, sem apoio, sem maiores recursos. Os agricultores brasileiros vinham sendo verdadeiros heróis, produzindo em condições precárias, insistindo em seu trabalho apesar da falta de um amparo maior, como o que, por exemplo, tem os produtores da Europa e dos Estados Unidos.
Acontece que a tendência toda de um mundo com um crescimento populacional tremendo indicava que chegaria o momento em que o Brasil acabaria por se voltar para o próprio potencial. O que a ONU percebe hoje é o que já existia. O Brasil tem, agora, como tinha no passado, condições para ampliar sua produção, sem, o que é um fator vital no atual momento histórico que o mundo vive, prejudicar o meio ambiente. As terras agricultáveis existentes (e boa parte ainda não explorada) garantem um crescimento constante da produção, a possibilidade de, afinal, o Brasil chegar a ser o que se dizia há décadas, o celeiro do mundo.
Ao lado disso, o recorde na produção de grãos nacional, já anunciado, reforça a expectativa positiva. Com bons ou maus governos, com ou sem apoio, o Brasil se lança ao patamar há muito anunciado. Naturalmente, se a produção tiver, hoje, o apoio que reclama e merece, este caminho será mais fácil e, talvez, mais rápido.





