Se a opinião pública rejeita, então as cenas de sexo explícito na televisão devem ser evitadas. Porque é ao público que a programação da TV se destina, e se um produto não é aceito, não pode ser imposto. O que ocorre dentro das emissoras é que são os produtores que decidem, e há casos em que sua cultura ideológica visa justamente afrontar as pessoas em seus costumes e modificá-las em seus valores e concepções. E não apenas com relação ao sexo mas também com a música que faz a apologia de certos comportamentos, inclusive o uso de drogas. Impera em certos produtores artísticos um deliberado propósito de impactar a sociedade dita conservadora. É quase um movimento, que encontra adeptos fortes no âmbito dos agentes culturais e inclusive nos veículos de comunicação. Naturalmente, há os espectadores que apreciam.
Em boa hora houve intervenção do Ministério da Justiça contra os abusos do programa ‘‘Big Brother Brasil’’, da Rede Globo, que mostrou abertamente um casal fazendo sexo. O horário limite das 22 horas, todos sabem, nada significa se o objetivo é proteger os menores, porque eles estão diante da televisão em qualquer horário, e em todos eles há cenas que deveriam ser proibidas. Porque flashes desses programas são mostrados o dia inteiro nos institucionais das emissoras. A reação contra esse quadro foi geral e indignou até diretores da emissora, que – percebeu-se aí – não têm controle sobre o liberalismo da produção.
Não há que temer uma lei de censura, nesses casos, porque é preciso distinguir liberdade e licenciosidade. O sexo, obviamente, não é uma prática imoral, mas justamente por ser algo natural não precisa ser banalizado e mostrado na TV como espetáculo e como coisa excepcional. São, então, esses produtores que dão excessiva importância ao sexo, a ponto de ter de mostrá-lo como componente especial. Ocorre que, nos hábitos brasileiros, sexo é algo da intimidade das pessoas e não é de seu gosto fazê-lo publicamente. Uma questão de costume, e os costumes é que fazem as tradições. Há, sem dúvida, que repensar o conteúdo da programação das TVs, aí compreendidos também os filmes, sobretudo os importados. A idéia, já aceita pelas direções das televisões, de implantar ouvidores – para auscultar a opinião pública e saber o que ela deseja ver nas telas – é um caminho sensato, antes que as autoridades tenham que impor a censura pela força.

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