OPINIÃO DA FOLHA - Antes tarde do que nunca
Embora tardia, e mesmo considerando que qualquer medida visando a segurança da população é um dever do Estado em qualquer momento, inclusive quando a situação estiver controlada e a atitude governamental for no sentido preventivo, não deixa de merecer elogios a posição da governadora em exercício do Paraná, Emília Belinati, de chamar para si a responsabilidade de buscar solução urgente para a violência que se registra sobretudo em Londrina, Curitiba e Foz do Iguaçu.
Conforme reportagem que a Folha de Londrina publica hoje na página 7 deste caderno, na última sexta-feira a cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Paraná foi convocada para uma reunião pela governadora em exercício, definindo-se, entre outras propostas, o desencadeamento de uma ação integrada especificamente para Londrina. A reportagem informa ainda que ainda esta semana, após contatos com a Polícia Federal, o Ministério Público e a área social da Prefeitura de Londrina, serão definidos pela Secretaria de Segurança as formas de ação conjunta com as polícias Civil e Militar.
Esta decisão era espera há tempos pela população de Londrina. Mas jamais o governo do Estado havia acenado com uma proposta concreta de ação, como esta que se vislumbra a partir da reunião de sexta-feira. Muitas vidas já foram roubadas pelos executores e pelos patrocinadores da violência, cujo principal foco, hoje em Londrina, é o tráfico de drogas, uma contravenção que deixa marcas profundas em toda a sociedade. A família que perde seu filho para o vício e a mãe que percebe seu filho no mundo da contravenção e sabe que seu futuro é incerto estão entre as principais vítimas dessa grave doença social.
Assim como há também outros tipos de contravenções, desde os pequenos, mas igualmente tão nocivos assaltos dentros dos ônibus urbanos. Não há sentimento mais triste do que saber que um trabalhador perdeu o seu salário, que havia acabado de receber, para um grupo de delinquentes. Ou que o aparelho de televisão comprado com muito custo por uma família foi roubado durante um arrombamento. Isso para passar resvalando pelo mais sério, que é a perda de vidas em consequência dessa afronta que o mundo do crime, descaradamente, impõe sobre o cidadão de bem.
Era hora de ação. Antes tarde do que nunca, pois a população pode agora se sentir, ao menos, minimamente assistida.





