OPINIÃO DA FOLHA - Ambulantes privilegiados
Se a questão dos vendedores ambulantes deve merecer a atenção do poder público, eles também precisam transigir e não imaginar-se com privilégio especial pelo fato de não encontrarem outra forma de trabalho, neste país de desemprego. Em Londrina, criou-se um impasse entre eles e a Prefeitura, porque os ambulantes querem permanecer nas ruas e praças, usufruindo de vantagens, e recusam a proposta de transferir-se para um amplo barracão próximo e que seria adaptado para um shopping popular.
A prefeitura quer resolver o problema oferecendo a opção desse edifício, ademais subsidiando uma parte do aluguel, dando assessoria empresarial e promovendo a necessária adaptação do imóvel. Buscar caminhos é a função do poder público, mas os camelôs querem manter a sua medina nome que também passou a ser dado ao local, por influência da novela da televisão, ou de mini-Paraguai, pela grande quantidade de produtos oriundos da zona franca fronteiriça de Ciudad del Este, incluindo os ''piratas''. Ocorre que o Camelódromo invade ruas, impede o tráfego de veículos e faz concorrência desleal com os comerciantes da área regularmente estabelecidos e que pagam impostos.
Vendedores ambulantes, comelódromos fixos, feiras semanais de hortifrutigranjeiros, existem em todas as cidades do mundo e já se incoporaram à vida urbana, constituindo-se até em atração turística, mas também existem soluções mais inteligentes como os grandes pavilhões cobertos, que se prestam a esse comércio e são igualmente atrativos. É isso o que agora o poder público, em Londrina, quer oferecer aos ambulantes, mas eles recusam, porque teriam um custo um pouco maior, embora a segurança de um lugar coberto e permanente e que possibilitaria a circulação da freguesia também em dias de chuva.
Há uma intransigência por parte deles, mas existe um prazo estabelecido pelo Ministério Público para que regulem sua situação contábil, e a prefeitura já tomou a decisão de que não quer a presença de ambulantes nas ruas e praças; e também se recusa a doar um terreno central solicitado por eles, para que ali se instalem, até porque a população se oporia, eis que é uma das poucas reservas que existem para uma necessidade futura mais relevante. A prefeitura não pode transigir, até em defesa dos comerciantes estabelecidos, e os ambulantes devem aproveitar a solução oferecida pelo poder público de transferir-se para o shopping popular. Esta a fórmula inteligente e pacífica.





